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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Hoje é Abril

Aguarela de Maria Manuela Silva


Hoje é Abril!

E está sol.

Hoje, as pessoas como eu
pensam em cravos.

Rubros, os cravos.
Rubra a memória que se aviva
e que escorrega na saudade.

E, para as pessoas como eu,
acorda-se ainda
uma esperança muito redonda
muito rubra,
muito cega de sonhos urgentes.
Um quase imaginário sem limites
preso no rigor do sonho.

E os cravos continuam rubros e silenciosos.

Abril é o nosso sortilégio.




2016-04-25

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Amanhã



Conta comigo amanhã.
Não hoje.
Não saberia o que te dizer
como te olhar
ou como encostar de mansinho
a cabeça no teu ombro.
Não saberia sussurrar-te
os lagos de sonhos que
trago presos nas lágrimas
nem contar-te dos
infindáveis segredos de areia que
se prendem à
incoerência ignorante dos tais sonhos.

Espera por mim amanhã.
Vem sentar-te comigo.
Traz-me um café e vamos juntos
tentar alisar estas dobras sujas
que me sobram do dia.
Abraça-me de todas as cores.
Talvez se desamarrem estes nós.
Talvez eu chore uma gota de delírio.
Uma gota apenas.

Talvez.

Amanhã.


2016-04-18

terça-feira, 22 de março de 2016

E todavia

  Fotografia de Ana Borges (Margaretta Gomez) 

Tento escrever um poema.
Hoje é dia da poesia, dizem
e lá fora já é Primavera.
Mas as palavras
surgem cingidas e tristes
e criam novelos de um desespero nu e salgado
que se prende ao avesso das horas.
Ou surgem como pequenas limalhas finas
inconsistentes
sem enfeites
sem transgressão.

E, todavia, é Primavera, dizem

E a vadiagem dos olhos
diz-me que há flores que esbracejam
asas que sussurram
e uma luz nova talhada no assombro
que me entardece o olhar.

É Primavera, dizem

E mais uma vez
as palavras se quedam ao rés do soluço.
Flutuam no colo do tempo
acrescentando novas distâncias

e o poema é apenas penumbra.



2016-03-21