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sábado, 22 de novembro de 2008

"A viagem do elefante" de José Saramago


Surpreendeu-me muito este último livro de José Saramago. Tendo sido escrito num momento tão difícil da vida do autor no que diz respeito à sua saúde, não contava deparar-me com uma prosa tão bem-humorada quanto esta.

Baseado num facto histórico o qual consistiu na oferta feita por D. João III e sua esposa D. Catarina da Áustria, ao arquiduque Maximiliano II, genro do Imperador Carlos V. de um elefante que, vindo da Índia, se encontrava em Lisboa, Saramago desenvolve uma prosa leve e divertida.

Descreve a hipotética viagem do elefante que atravessa meia Europa até chegar a Viena de Áustria. Fá-lo de uma forma muito interessante aproveitando o ensejo para, episodicamente, ironizar acerca dos costumes da nobreza e do clero enquanto classes, mas também das próprias pessoas enquanto indivíduos; das suas ambições, das atitudes mesquinhas, das superstições…

Enfim, mais uma vez Saramago no seu melhor.

A escrita é simples, sem recurso a expedientes de pontuação nem sempre bem compreendidos, mas de grande qualidade estrutural e narrativa. De diferente, apenas a quase total supressão de maiúsculas que apenas utiliza no início das frases.
Recomendo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hoje apeteceu-me algo...




Hoje apeteceu-me começar o dia com algo...bom...

À falta de Ambrósio e também de Ferrero Rocher, aqui fica a minha escolha.

Convenhamos que fiquei a ganhar. É sempre arrepiante recordar algo tão verdadeiramente bom...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

"O Apocalipse dos trabalhadores" de Valter Hugo Mãe


Mais uma vez, Valter Hugo Mãe, confirma a sua excelente qualidade enquanto escritor que já havia demonstrado em “O Remorso de Baltazar Serapião”.

É um pouco menos “pesado” quer no enredo, quer na linguagem pois retrata um tempo contemporâneo.

Mantém, porém, o mesmo realismo ao desenhar as angústias, as precariedades, as ilusões, os desejos, as esperanças das personagens.

Estas, muito bem construídas e complexas são essencialmente constituídas por duas empregadas a dias e carpideiras, um emigrante de leste e um reformado idoso. Todas elas, de uma forma ou de outra, buscam ser felizes seja qual for o sinónimo que cada um encontra para a sua felicidade.

Consigo, se calhar erradamente, mas foi essa a ideia que me deu, estabelecer algumas semelhanças na forma do tratamento da mulher com “O remorso de Baltazar Serapião”; a preponderância do homem; a aceitação da mulher. Contudo existe uma diferença crucial. Aqui essa condição é-nos mostrada através da perspectiva da mulher que a aceita como um mal menor, ou até necessário.

É impossível ficar indiferente à profunda sensibilidade colocada na construção das duas personagens que protagonizam os pais do emigrante ucraniano. Chega a ser comovente.

No meio destas personagens surge um “rectângulo castanho cheio de pulgas” o cão que se chama Portugal. Se, como eu penso, se destinava, a caracterizar o país, fá-lo, sem dúvida, mas é, quanto a mim, o menos importante do livro. As personagens agarram-nos de tal forma que a metáfora perde importância.

Com um tipo de escrita muito próprio, o qual havia revelado de forma inequívoca no livro acima citado, mostra porém neste, que embora seja o seu estilo, reconhecível, facilmente identificável, é também um estilo dinâmico no sentido em que se adapta às diferentes situações.

A não perder.

domingo, 16 de novembro de 2008

Sessão de poesia no SOLMAIA


E aqui está ela!

Após várias solicitações, a promessa será cumprida.

No próximo Domingo, dia 23, junte-se a nós no Solmaia e usufrua do "Aroma da Poesia"

Tome um chazinho, ouça ou/e diga palavras bonitas intercaladas de música de fazer sonhar e, sobretudo, participe num ambiente de franca e saudável camaradagem.

Cá vos esperamos com um sorriso!

sábado, 15 de novembro de 2008

"A paixão do conde de Fróis" de Mário de Carvalho


Mais um romance de Mário de Carvalho e, mais uma vez, a indefectível marca da crítica aos costumes.

Talvez um pouco mais subtil do que em outros que já li, mas nem por isso menos presente, menos corrosiva, menos depreciativa em relação ao comportamento humano.

Passa-se no século XVIII, em pleno despotismo iluminado do Marquês de Pombal e conta-nos a história de um conde que, como castigo por uma atitude indevida, se vê desterrado para uma praça insignificante, absolutamente desconhecida, no norte de Portugal.

Por circunstâncias fortuitas, vê-se guindado para o cargo de chefe militar dessa praça. A partir daí desenvolve-se toda a trama que é muito interessante e nos dá bons motivos de reflexão…

Livro de uma qualidade literária irrepreensível, com utilização de um vocabulário elaborado, erudito (já normal no autor) e que, neste caso, tem por objectivo reflectir uma época.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dançar

(Imagem: Tango Dance)

Hoje não vou à minha aula de tango. Tenho outros compromissos também interessantes.

Porém, para me redimir, escrevi sobre dança o que, para mim, é quase tão bom como dançar...


Dançar é expressar com o corpo,

palavras que a alma abriga e quer soltar.

É escrever com os pés, com as mãos,

com todos os movimentos, é desenhar.


Dançar é voar bem alto, é subir,

além do sonho, da ilusão da fantasia

É arrebatar a música que se faz ouvir.

É esquecer o real e viver a utopia.


E é oscilar, saltar, deslizar, rodopiar,

é ser lascivo, mesmo sem o pretender,

é perder-se num contínuo dialogar,

é o balançar entre o cansaço e o prazer.


Dançar é um deixar-se possuir,

É esquecer o pudor e a decência,

é ser forte, ter o arrojo de sorrir,

é matar com a alegria a dolência.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Convite da Poetria


A extensão e a qualidade dos poetas alemães é tão arrebatadoramente bela! Há mais poesia para além de Rilke, Holderlin, Goethe, Brecht...

A Livraria Poetria quer surpreender uma vez mais, com estes poetas lúcidos até à loucura, puros de paixão e de infortúnio, "anjos do desespero" balbuciando o mistério da Natureza, a imensa terra, o céu sublime...

Desta vez acontecerá no Teatro da Vilarinha que partilhará as receitas de bilheteira (5 €) com a Poetria, no próximo dia 14, pelas 21,45 h., com direito a desfrutar de mais duas outras sessões de poesia: "Palavras para que vos quero", por Rui Spranger, no dia 13, e "Ruy Belo e Carlos Drummond de Andrade", por Manuel Cintra, no dia 15 (à mesma hora).

Para quem não conhece o emblemático Teatro da Vilarinha, será uma maravilhosa ocasião para conhecerem este espaço ao mesmo tempo festivo e eminentemente cultural. Eis o endereço:

Rua da Vilarinha, 1386 Porto. Fica na Estrada da Circunvalação e para lá chegar podem tomar os autocarros 205 ou 501.

Reservas: 222023071 (Poetria); 226108924 (Teatro da Vilarinha)

Esperamos uma vez mais celebrar a POESIA na vossa companhia, agradecendo se possível a divulgação da sessão e do cartaz anexo.

As melhores saudações.

POETRIA


(O texto é, obviamente, da Dina. Um beijo grande para ela.)

Que susto!!!


Hoje apanhei um susto. Não foi um susto qualquer! Não, foi mesmo um grande susto. É que quando cheguei ao meu Bernardo (é o meu computador, nem todos podem ser Magalhães, não é…) e tentei entrar no meu blogue, não consegui. Já ontem à noite alguém me tinha enviado um mail perguntando a razão pela qual tinha o blogue inacessível. Mas eu, muito sinceramente, dado o adiantado da hora, não dei muita importância pois julguei que fosse algum problema temporário do blogger e que hoje tudo estaria resolvido.

Engano meu. Logo de manhã lá vou eu toda lampeirinha, de cafezito na mão para, com a ajuda do Bernardo, dar uma vistinha de olhos pelos meus parceiros internautas preferidos e, eis senão quando, o blogue não há meio de abrir. Por mais que eu tentasse, por todas as “portas” que eu conheço, lá me deparava com a invariável mensagem: server can not be found error404.

Fui clicando nas diversas “ajudas”(?) que vão sendo propostas que nos vão empandeirando para outras “ajudas” ainda mais complexas as quais me encaminhavam para níveis muito à frente daquilo que é a minha capacidade de compreensão da coisa. Eu só sabia que estava a ser vítima do erro 404 mas não vislumbrava indícios de solução.

Claro que, entretanto, fui seguindo algumas sugestões (as que conseguia entender minimamente) e lá fui mudando passwords (agora nem sei bem quais as que mudei e as que mantive…), introduzindo códigos enviados por e-mail mas que, afinal, não me davam acesso a nada, liguei e desliguei o Bernardinho tantas vezes que até ele já estava mais lento e fazia uns ruídos estranhos, isto tudo enquanto me ia insultando até à quinta geração por ter decidido optar por um domínio próprio (já desde Julho) que eu achava ser a razão do problema.

- A mania dos modelos exclusivos! soprava eu. – Não podia ser como toda a gente! Não! Tinha que ser à fina, tinha que ter um domínio. Ainda se ao menos eu soubesse para que serve ter um domínio!!!!

Bom, a verdade é que com todas estas tentativas, este faz e desfaz, este receber quatro vezes a mesma mensagem da suposta assistência do blogger, que não conseguia pôr em prática, ter os cabelos todos em pé, a alma num frenesim e a sensação de que se me aparecesse alguém pela frente era corrido à chapada, dei-me conta que tinha passado a hora do almoço e que se aproximava rapidamente o horário de um compromisso a que não podia faltar.

Sempre em acesa discussão comigo mesma lá fui à minha vida esperando que, entretanto, se desse o milagre da desmultiplicação do erro 404.

Quando regressei, no final da tarde, e como não tinha sido abençoada nem com um laivo de milagre, a coisa continuava a não funcionar, lá me voltei a sentar e decidi mexer menos e raciocinar mais.

Foi aí que, primeiro, no mesmo domínio, criei um blogue novo o qual, espantem-se, abriu!

Então, fui ao painel do outro (a isso eu tinha acesso, só não tinha ao conteúdo) e decidi reconfigurar todas as definições do blogue. Já quase no fim, aparece-me lá um espaço que me permitia sair do meu domínio e passar para o condomínio geral (já lá devia ter passado umas boas dúzias de vezes sem ter visto) para o qual saltei imediatamente.

E foi então, queridos e pacientes leitores, que eu me reencontrei com esta peça de arte literária (e não só) que é este meu “Ponto de Cruz” do qual eu já sentia a falta mesmo que só tivesse estado perdido um dia.

Pensando que esse reencontro tinha sido um sinal que não podia ignorar, aqui estou eu a moer-vos o juízo a contar-vos com penosa e intencional lentidão as minhas desgraças de hoje.

Foi uma verdadeira segunda-feira! E quem leu isto até ao fim ou não tem mesmo nada para fazer ou tem muitos pecados a expiar…