
Ontem, fui a Viana do Castelo ao Teatro Municipal Sá de Miranda, assistir à estreia da reposição da peça de Oswaldo Dragún “Histórias para serem contadas”.
Este texto foi encenado pela primeira vez em Portugal em 1971, por Júlio Cardoso com o seu já prestigiado grupo de teatro “Os Modestos”
Por essa razão, foi aproveitada esta estreia para se prestar uma merecidíssima homenagem a Júlio Cardoso pelos seus cinquenta anos de carreira como actor, encenador, impulsionador de novos grupos de teatro e de actores… enfim, um mestre.
Foi interessante apreciar a quantidade de pessoas do mundo do teatro e não só que, em presença, ou através de mensagens que foram lidas, fizeram um périplo em torno do percurso profissional do homenageado nas suas diversas vertentes.
Depois dos agradecimentos emocionados do próprio e de uma visita a uma exposição fotográfica de alguns momentos marcantes da sua carreira, começou o espectáculo propriamente dito.
Embora já conhecesse o texto, achei muito interessante a estratégia do encenador, Castro Guedes, de utilizar um par dançando um tango argentino bem marcado, sempre que mudava a história (o texto conta três).
No meu ponto de vista, não só faz todo o sentido pois as histórias se passam em espaço argentino, como torna o espectáculo, cenicamente, muito mais apelativo.

É claro que sou um pouco suspeita: gosto de tango e o par que estava a dançar é, de entre os que conheço, o meu favorito. Além disso esteve divinal! Na forma como interpretou as músicas, no guarda-roupa cuidadosamente escolhido, nos pormenores da mudança de penteado, de um adereço, de um brilho, de postura e, sobretudo, algo que me encantou: as cambiantes na expressão facial…
A noite terminou numa milonga e numa prova de sabores sul-americanos.
Uma noite muito bem passada.
Foi a estreia. A peça irá estar em cena um mês. Não deixem de aproveitar.