Prendo os meus olhos àqueles outros olhos que, por sua vez, se prendem a um rosto distraído e fatigado buscando os dela, fugidios. Uma filha?
Por momentos, alheia a tudo o resto, olho-os bem fundo e descortino uma expressão de ansiedade? temor? súplica? desesperança? por sob aquele lindo tom de avelã vazio de esperança, brilhando de cansaço, patenteando desilusão.
Fico porém na dúvida, se desilusão, se uma força arraigada de lutador (vencido). Pois embora o seu corpo ostente a degradação da doença, os seus olhos estão ainda vivos, implorantes, exigentes até…
E é então que, com dificuldade solto o meu olhar daqueles olhos e tomo consciência que estou toda arrepiada, aturdida, num abismo de tristeza indescritível.
Estou terrivelmente assustada!
Quanta degradação física pode um ser humano aguentar sem que perca a chama da vida, da sua condição de humano?
Com que clareza nos conseguimos sentir nós quando no exterior nada resta que nos torne reconhecíveis mesmo se reflectidos num espelho?
5 comentários:
Quanto lamento, quanta tristeza... Força, dona gatita.
O sonho comanda a vida
Bjs
Ainda bem que temos sempre o sonho...
quero acreditar que sim.
Bjs.
Susana, é muito mais lamentável a solidão de uns olhos como estes que eu vi. A solidão em relação a si próprio...
Dá-nos que pensar...
Beijos.
...Quanta degradação física pode um ser humano aguentar sem que perca a chama da vida, da sua condição de humano?
Com que clareza nos conseguimos sentir nós quando no exterior nada resta que nos torne reconhecíveis mesmo se reflectidos num espelho?...
Podia responder-te noutro sítio...
Beijinhos
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