sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Lindo!!!
Epitáfio
Ya somos el olvido que seremos.
El polvo elemental que nos ignora
y que fue el rojo Adán y que es ahora
todos los hombres y los que seremos.
Ya somos en la tumba las dos fechas
del principio y el término. La caja,
la obscena corrupción y la mortaja,
los triunfos de la muerte y las endechas.
No soy el insensato que se aferra
al mágico sonido de su nombre;
pienso con esperanza en aquel hombre
que no sabrá quien fui sobre la tierra.
Bajo el indiferente azul del cielo,
esta meditación es un consuelo.
(Jorge Luís Borges)
“Livro” de José Luís Peixoto

Absolutamente delicioso. E quando digo delicioso refiro-me ao gozo que dá saborear um fruto maduro. Foi mesmo essa a sensação com que fiquei, a de me ter deliciado com algo suculento e rico.
Tenho acompanhado a obra de José Luís Peixoto, os romances e a poesia, e, honestamente, tenho gostado muito. É já, na minha opinião, um grande valor da nossa literatura.
Neste “Livro” consegui encontrar a mestria que já conhecia associada a uma subtil maturidade evidenciada na forma como José Luís Peixoto esgrime a palavra. Esta mestria está patente em todo o livro mas é mais evidente ainda na sua segunda parte. Aqui, José Luís Peixoto, num registo um pouco diferente do resto, autenticamente brinca com a forma e o tempo proporcionando-nos um trecho de uma criatividade incrível em que revela um domínio completo da prosa.
Ao caminhar de mão dada com um punhado de personagens que me são tão familiares, conheço-as todas, vou vivendo os seus amores, os seus medos, as suas frustrações, os seus êxitos, as suas necessidades… Vou crescendo e envelhecendo dentro delas e, ao mesmo tempo, sem que as sinta truncadas nas suas características próprias, ou sem que se pressinta qualquer pretensão de romance histórico, vou revivendo um período que foi também o meu, o do êxodo de tantos portugueses para outros países. Para a França, sobretudo, como tão bem aqui é retratado.
Com um denominador comum que é “O Livro” (o qual acompanha fisicamente algumas personagens ao longo dos anos e que é por si só, ao mesmo tempo personagem, objecto, autor e enredo), lá nos vemos a braços com a vontade de viver melhor, a fuga a uma guerra que não era a de ninguém, os amores contrariados, a negação do obscurantismo, a prepotência do poder, a luta, o desencaixe social sobretudo de uma segunda geração…
Enfim, revisitei a vida de tantos que eu conheci nos anos setenta, de tantos que todos conhecemos, revelada aqui de uma forma, como já disse, belíssima.
A não perder.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
“Somos o esquecimento que seremos” de Hector Abad Faciolince
Li este livro não por escolha minha mas porque era o primeiro de uma lista proposta por Valter Hugo Mãe para uma comunidade de leitores que se reúne quinzenalmente na biblioteca Almeida Garrett. Embora não seja muito apologista deste tipo de “leituras orientadas”, gosto de escolher o que leio, achei que seria interessante assistir ao debate até para entender se a minha percepção do que leio anda muito distante da da restante comunidade de leitores.Gostei do tipo de escrita. Descomplicado, coloquial, talvez até a pender um pouco para o jornalístico (datas muito precisas, nomes, factos muito concretos…). Extremamente simples na forma de comunicar a rondar até uma certa ingenuidade, talvez.
É certo que o tema facilita essa simplicidade e essa forma naíf de colocar as questões. É um livro autobiográfico que expõe de uma forma muito pungente e muito aprofundada a relação “exageradamente” estreita que o autor manteve com o pai e este com o filho.
Esta, julgo eu, é a mensagem que o autor mais se empenhou em transmitir. A homenagem póstuma, merecidíssima, que quis prestar ao seu pai. Mas, para mim, o livro teve um valor muito maior (sem querer diminuir o efeito anterior). Introduziu-me na história próxima da Colômbia da qual pouco conhecia.
Uma história recheada de momentos negros, de lutas, de prisões políticas, de torturas, de assassinatos a soldo que eu nem sequer suspeitava.
Curiosamente, passei férias na Colômbia há cerca de quinze anos e lembro-me de ser um destino barato em relação a outros das Caraíbas. Na ocasião entendi que seria pela violência que grassava por todo o país, sobretudo em Medelin que (ingénua se bem que não completamente distraída, convenhamos)eu atribuía às lutas intestinas provocadas pelos cartéis da droga. Ora como eu não tinha nada a ver com o assunto… Percebo agora que era bem mais do que isso como se apenas isso fosse pouco.
Enfim, voltando ao livro. Gostei, sem dúvida, mas não me impressionou da mesma forma que a outros leitores segundo verifiquei no dia do encontro/debate. Não fui tocada pelo mesmo grau de emoção.
Porém considero um livro a ler e não uma perda de tempo. Será que não os considero assim a todos???
Apenas mais uma curiosidade. O título é retirado de um poema de Jorge Luís Borges (de quem gosto muito) do verso que diz “já somos o esquecimento que seremos” e se chama “Epitáfio”. Lindo!
domingo, 3 de outubro de 2010
“A Febre” de Le Clézio

Era um livro que eu já tinha em casa há pelo menos dois anos e que ainda não havia lido. Na realidade o livro é da minha filha e foi-lhe oferecido exactamente no ano em que Le Clézio foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, em 2008. Provavelmente por essa mesma razão. E foi exactamente essa a razão que me levou a lê-lo. Isso e o facto de ter gostado de “A música da fome” julgo que o único livro que já havia lido do autor.
Devo dizer que não me deixou tremendamente impressionada. Longe disso.
É um livro de pequenos contos que, logo à partida, não fazem o meu género de leitura preferida. Têm de ser mesmo arrebatadores para me entusiasmarem. Julgo eu que, pelo facto de serem tão curtos, não me dão tempo para me entusiasmar. Fico sempre com algum desconsolo, à espera de mais. Manias…
Bom, como disse é um conjunto de nove contos que abordam o fantástico ou o fantasioso. Não o fantástico, tão em voga actualmente, povoado de seres mais ou menos imaginários e imaginados (vampiros, fadas, duendes, super-heróis e quejandos), seres que povoam a fantasia num plano que nos é extrínseco.
Não. É o nosso próprio fantástico. Aquele que habita em nós e que é despoletado por um factor “sem importância” tal como um episódio de febre... ou qualquer outro.
É toda a fantasia que povoa o nosso íntimo (que nos é intrínseca) embora muitas vezes não nos demos conta da sua existência.
Ela existe e é despoletada através dos nossos pensamentos, sonhos, emoções, sentimentos mas também da nossa pele, olhos, ouvidos, boca, nariz, enfim, das nossas sensações. E, uma vez despoletada lá vamos nós vogando em viagens que mais não são do que fantásticos delírios febris.
E é precisamente desses delírios que nos dão conta os nove contos que constituem este livro que evidencia uma excelente qualidade literária no que respeita à forma da escrita.
Desses nove destaco dois dos quais gostei particularmente: “Martin” e “Um dia de Velhice”
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Lembras-te?
Era um passarinho muito colorido, de fartas penas, que saltitava no fundo de um elástico o qual prendi no puxador da porta da cozinha.
E que desconsolada que eu fiquei!
Foi sempre um dos brinquedos preferidos de todos os bebés felinos cá de casa e tu, chegaste-te próximo, cheiraste-o, olhaste-o com algum desprezo (foi o que me pareceu…) e viraste costas com toda aquela pose que te caracterizava já nessa altura.
O teu irmão, porém, mal viu aquele objecto ali ao dependuro, entregou-se afanosamente à árdua tarefa de o resgatar.
E abocanhava, e puxava, e esticava o elástico até não dar mais de si. Até que, não aguentando a força que tinha de fazer (era tão pequenito, ele!) o largava e retomava tudo desde o início.
Tu, esperavas sentada uns bons passos atrás e mirava-lo desdenhosamente, com pena até. Pelo menos era o que me parecia…
De repente levantaste-te, caminhaste decididamente até ao brinquedo, mantiveste-o parado com as unhas de uma patinha e, calma e eficientemente, com os dentes, cortaste o elástico e depositaste o “passarinho” em frente ao teu irmão que assistia atónito e sem coragem de interferir.
Retiraste-te depois, altaneira e indiferente e, tenho quase a certeza que apenas não abanaste a cabeça de incredulidade e algum desdém, creio, por mero pudor e educação.
Lembras-te? Como podias ter esquecido!
O Calvin (o teu irmão), esse, ficou estupefacto, absolutamente desolado e com ar de quem não entendeu coisa nenhuma. É certo que tinha o brinquedo ali mesmo à mão, perdão, patinha de semear mas a verdade é que este não tinha já metade da piada.
Ainda lhe deu uns empurrõezitos, umas cheiradelas, para te fazer o jeito julguei eu, mas rapidamente perdeu o interesse.
Tive pena dele. Tão pequenino que ele era. Lembras-te Carlota? Como ele dependia de ti para tanta coisa!
Querias ensiná-lo porém ele não estava preparado para aprender o que tu já tão bem sabias.
Amarrei as duas pontas do elástico com um nozito e lá refiz o brinquedo quase com a perfeição original embora um pouco mais curto.
E como ficou contente o Calvin!
Não tardaram dois minutos já ele se agarrava de unhas e dentes ao “passarito”, de penas amolecidas de tanta dentada, esticando o elástico até o perder... para de novo o ir buscar.
Mais uma vez chegaste à cozinha, apreciaste a cena durante uns breves minutos até que, com ar complacente mas professoral, voltaste a cortar o elástico com os dentes e depositaste o brinquedo junto do Calvin.
E eu, Carlota, lembras-te? fartei-me de rir e atrasei o jantar indefinidamente nesse dia . E que orgulhosa estava. Como eras esperta!
O Calvin voltou a não achar piada nenhuma, pareceu-me e, mais uma vez se desinteressou.
E a brincadeira repetiu-se várias vezes, que paciência!!!! até que já não tinha mais elástico para dar nó.
Ainda te lembrarias Carlota? Eu não pude nunca esquecer…
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
“O Dia dos Prodígios” de Lídia Jorge

Ora como ando em fase de ler as obras dos autores por ordem cronológica de publicação (vá-se lá saber porquê… a mania mais recente, talvez) pareceu-me esta falha um despautério tal que teria de ser imediatamente corrigida pelo que, também este, levei para ler em férias.
O livro é pequeno. A edição que li tem apenas 223 páginas que se descobrem de um sopro.
É lindíssimo e tornou-se para mim evidente a razão pela qual Lídia Jorge foi, de imediato, reconhecida como grande autora.
Os posteriores, bastante diferentes na sua forma, diga-se, vieram apenas confirmar o que este havia deixado bem patente.
A história, algo romanesca, passa-se num povoado algarvio de nome Vilamarinhos. Os seus habitantes, sobretudo velhos e mulheres, viviam enconchados em si próprios, nas suas crenças e no seu imaginário de mitos e fenómenos que eles próprios criavam a partir do acontecimento mais comezinho.
Duas mulheres, quanto a mim, protagonizam a parte mais curiosa da mensagem; a Carminho e a Branca.
De escrita muito incomum, utilizando termos e formas de oralidade local (é essencialmente dialogado) vai-nos, utilizando este povo como metáfora, descrevendo a gente portuguesa do antes do 25 de Abril que aguardava algo, um sinal, um fenómeno que a arrancasse do isolamento, do marasmo, do obscurantismo, da fantasia forçada, do embotamento que a afligia.
Tal como a morte da “cobra alada”, “o dragão”, o riso da mula ou a invasão de formigas, também a revolução foi o sinal de que algo ia mudar.
Mas, no meu ponto de vista, a mensagem que mais me tocou foi precisamente a que essas duas personagens femininas acabaram por me transmitir: o futuro de cada um está nas suas mãos e não à mercê de quaisquer sinais ou fenómenos mais ou menos incomuns que o destino nos coloque na frente.
Mais uma belíssima leitura.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
“Fado Alexandrino” de António Lobo Antunes

Companhias distintas, é certo, mas ambas excelentes.
Já acabei de ler o “Fado Alexandrino” (o marido mantém-se...) há uns tempos. Acabei-o ainda em férias e estas já terminaram há algumas semanas. Na verdade, não me tinha apetecido ainda escrever nada sobre ele. É que o impacto da sua leitura é tal que receio que tudo o que possa dizer a seu respeito venha a ser disparatado. Se não por outra razão, por supérfluo.
Mais um livro absolutamente cativante.
E não, não é pela originalidade do seu enredo. Na verdade ALA desenvolve um tema recorrente na maioria dos livros que li dele; as memórias da guerra e a forma como ela acabou por influenciar os percursos de vida de quem por lá passou.
Dito desta forma poderemos ser levados a pensar que, enfim, li mais do mesmo.
Nada disso!
Embora, como já disse, o assunto não seja novo, a verdade é que é explorado sempre de forma diversa.
Neste caso, ao longo das 715 páginas que constituem o livro, vamos acompanhando os desabafos que quatro (cinco? Tenho dúvidas em relação ao capitão, personagem apenas ouvinte)personagens, antigos combatentes em Moçambique de patentes diversas (do soldado ao general), num jantar de batalhão que teve lugar dez anos depois de terminada a guerra colonial, já completamente ébrios de vinho e de mágoa, vão desdobrando.
Bem, na realidade, quem tem que desdobrar e recompor o puzzle que é a escrita deste livro somos nós, os leitores. Confesso que foi dos que me criou maiores dificuldades em relação ao encaixe de todas as peças.
É que, embora esteja escrito numa linguagem de matriz eminentemente objectiva, as constantes interrupções e/ou descontinuidades discursivas entre os diversos narradores tornam-no um rendilhado difícil de compor. As diferentes vozes misturam-se, completam-se, galgando tempos e espaços sem que se desviem daquilo que, no meu ponto de vista, é o objectivo principal; dar-nos uma perspectiva, através do percurso de vida das personagens nesse período de 10 anos, de um Portugal antes, durante e num pós/ próximo do 25 de Abril de 1974.
Tudo decorre no espaço temporal de uma noite e uma manhã. Contudo, nesse espaço de tempo desfilam perante o leitor algumas vidas com as suas voltas, as suas lutas, os seus desencontros, as suas traições… e até, curiosamente, as suas interligações. Todas se tocaram a dado momento sem que de tal se apercebessem.
No decurso de cada uma delas e de todas ALA vai abordando, sempre de forma muito cáustica, muito dura, muito grotesca (provavelmente muito real na sua ficção) instituições militares e políticas, diversos sectores da sociedade, organizações partidárias, a polícia política, as prisões, a guerra…
É uma escrita talvez algo agónica pois, as vidas que se vão desenrolando perante nós, estão irremediavelmente presas à derrota, ao desânimo, ao fracasso, ao medo. Consequência das duras vivências da Guerra Colonial? Dos tempos conturbados e algo confusos do pós 25 de Abril? Do regresso a um status sócio/politico/económico algo semelhante ao anterior variando apenas os que dele se aproveitavam?
A linguagem usada é crua, dura, sem pudores, absolutamente adequada ao que nos quer transmitir. Porém, a narrativa está eivada de metáforas belíssimas, tornando o livro uma peça literária que só alguém com a mestria do autor poderia escrever.
E finalizo com o fim! É que este livro tem, na minha opinião um final inesperado. Para mim, pelo menos foi-o. E que final!
Não será um livro para dar início à leitura do autor. Mas é, seguramente, um fabuloso exemplar da sua obra.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Arestas
Dia em que as arestas das palavras
Fazem divergir a claridade, envergonhada de mim.
O eco da voz encerra tudo numa baba de breu
que embrulha o dia e o leva,
embaçado também, a desejar ser noite…
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Inextinguível
sábado, 28 de agosto de 2010
I'll Be Back!

Mas, afinal, parece ser verdade:
-VOU A BANHOS!!!!!!!
Vá lá, não fiquem tristes. Além de ser por pouco tempo, I'll be back!
Aproveitem o intervalinho.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Noite de Poemia no Labirintho
Porque precisamos urgentemente de muitos "Labirinthos" que nos alimentem a alma à medida que podemos regalar os palatos e conviver com amigos;
Porque irão ser apresentados belíssimos poetas naquele ambiente que podia muito bem ser a nossa casa;
Eu estarei lá...
Quarta-feira, dia 25, às 21h30
“NOITE DE POEMIA”
BRASÍLIA...POUSO A MÃO NO TEU PEITO –
OS POEMAS QUE A NOVA CAPITAL INSPIROU
são alguns dos poetas que participam na "Noite de Poemia" dedicada
a Brasília, que se realiza quarta-feira, dia 25, às 21h30 no Bar Labirintho, Porto.
Assinalando a passagem dos 50 anos da capital do Brasil, esta sessão de poesia
revelará outras criações literárias, entre poemas e crónicas, inspiradas pela cidade
construída de raiz, em quatro anos, no Planalto Central brasileiro.
Manaíra Athayde, Carlos Jorge Mota, Celeste Pereira, Danyel Guerra e Inêz Mota
farão as leituras desta sessão que interage com a exposição
"Brasília 50 anos: Nas Raízes do Futuro", patente na galeria do Labirintho.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
“Niassa” de Francisco Camacho
Por isso, mantenho-me normalmente atenta aos prémios literários que todos os anos são atribuídos. Devo dizer que, por regra, tenho tido surpresas deveras agradáveis com o que vejo surgir.
Desta feita foi a vez do romance “Niassa” de Francisco Camacho, vencedor do Prémio P.E.N. Clube Português para a categoria “Primeira Obra” em 2007.
Não se trata, por isso, de alguém que vai em busca das suas memórias. Não. Ele vai descobrindo o país ondenasceu à medida que o vai dando a conhecer ao leitor.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Os Garamantes
Ora, nada melhor para explorar um assunto do que falar com ou dos seus especialistas. Por isso hoje decidi falar acerca dos Garamantes.
E quem eram os Garamantes? Perguntarão os mais distraídos.
Aparentemente e juntando umas coisitas de que ainda me lembrava com outras que procurei para não sair uma grande asneirada uma vez que apenas pretendo efabular ligeiramente e não permitir-me a grandes desvios, tratou-se de um povo descrito quer por historiadores (Heródoto, por exemplo) quer por viajantes (Alexandre e os seus emissários…), que , há muuuuuiiito tempo (foram atacados pelo proconsul de África, Cornélio Balbo nos anos 21 e 20 a.C. a mando de Caius Iulius Caesar, vulgo Júlio César, ou teria sido Marco António? Bom, não interessa! Muito tempo, portanto.) habitou a África sahariana.
De origem berbere o povo Garamante estabeleceu-se, desde tempos imemoriais (diz-se que durante o primeiro milénio antes da era cristã) na área de Fezan e construiu, apesar das condições climatéricas adversas, um reino que constituiu a única entidade política sólida, reconhecida e prestigiada, no deserto sahariano entre o Egipto e a costa atlântica.
A sua capital era Garama e, daí, o rei controlava um extenso número de tribos que se espalhavam por um também extenso, se bem que desértico território salpicado de alguns oásis.
Embora considerado pelos romanos um povo de guerreiros do deserto, as evidências arqueológicas mostram-nos algo diferente.
Revelam-nos um povo adaptável às condições que se lhe ofereciam, próspero, que dependia, essencialmente, da agricultura.
Diz-se que também do comércio de bens que transportavam entre a Líbia e o Mediterrâneo. Contudo esta teoria não tem grande suporte em termos de documentação histórica ou de vestígios arqueológicos. Baseia-se apenas naquilo que, séculos mais tarde, aconteceu com os povos muçulmanos que aí se instalaram.
Sabe-se, porém, que cultivavam quase todo o tipo de cereais, vinha, oliveira, palma, algodão e vegetais. Desenvolveram também capacidades como o fabrico de cerâmica, metalurgia, vidro, extracção de sal e de pedras semi-preciosas.
Se é certo que esta zona, agora tão árida, o seria bastante menos no dealbar da era cristã, a verdade é que este povo construiu um sistema de irrigação, baseado em poços e condutas subterrâneas digno da mais moderna engenharia.
Procuravam lençóis de água subterrâneos e, a partir deles, canalizavam a água por um elaborado sistema de túneis, até onde necessitassem dela. Neste sistema conhecido por foggara os túneis iam tendo uma cota cada vez mais baixa do que a do lençol de onde provinham e a água era “empurrada” pelo próprio desnível.
Gente esperta! É que nem aquele sol todo a queimar a moleirinha lhe retirou ou afectou os neurónios…
Com este sistema, apesar da terra à sua volta ir secando cada vez mais, conseguiram aguentar uma evidente prosperidade julga-se que, pelo menos por mais um milénio…
Mas, tudo tem um mas, como os recursos hídricos não são eternos, também estes lençóis de água acabaram por esgotar e, com eles, a prosperidade evidenciada por este povo.
É até provável que, quando os romanos lá chegaram e, com dificuldades, acabaram por conquistar este povo, ele já não fosse mais do que uma pálida sombra do que tinha sido séculos atrás. Julga-se que os recursos hídricos terão esgotado próximo do final da era a.C. e, assim, serem descritos apenas como povos guerreiros do deserto…
E, tenho dito embora muito mais houvesse a dizer sobre este povo. E outros, claro. Só que agora não me apetece.
sábado, 14 de agosto de 2010
Até um dia...

Fizemos uma cama no chão, ao lado da tua, para te acompanhar neste momento difícil. Passámos a noite ao teu lado. Mais a Ana do que eu que, sem mesmo saber porquê, me senti completamente derrubada e incapaz de manter os olhos abertos. Merecias mais do que isso Carlota! Tu, a mais atenta das minhas gatas. A mais presente, a mais comunicativa, a mais senhora da sua vontade que era, na maior parte das vezes, a nossa…
Quando, já de manhã, vim para o teu lado, sofrias. Devias ter dores atrozes, porém, arrastavas-te ainda para a minha almofada para te encostares a mim enquanto eu não parava de te acariciar esse pêlo belíssimo até há tão pouco. E ronronavas… E eu chorava…E tu fitavas-me com esse olhar pungente. E eu decidia o que fazer. E chorava. E já me doía a saudade.
E a manhã foi crescendo e com ela crescia a angústia e a urgência.
Agora, ao meu colo, adormecida para sempre enquanto me olhavas (será que sentiste traição? alívio? medo? saudade? gratidão? nada?) e ronronavas e me olhavas e ronronavas até esse som ser apenas mera ilusão, não és mais que um corpo que faz lembrar a minha Carlota. A minha diva. A minha musa. Seguramente uma das gatas mais especiais que conheci.
Até um dia Carlota.
“O Manual dos Inquisidores” de António Lobo Antunes

Já lhe sinto a falta. Sinto a falta, creio, da intensidade das personagens. Da forma como irremediavelmente sou agarrada e conduzida ao âmago de si (por vezes de mim também). Da forma como me vão revelando os seus segredos mais obscuros, os seus medos, os seus desamores, as suas perversões, também as suas alegrias, os amores… Mas a verdade é que ALA é magistral na construção de personagens de cariz mais obscuro. Conhece e explora, literariamente, os meandros da mente humana de uma forma inacreditável.
Mais uma vez a “história” nos vai surgindo fragmentada em tempo e espaço. Mais uma vez se entrelaçam, nos relatos das personagens (curiosamente o livro está estruturado em capítulos que tomam o nome de “relato” e/ou “comentário”) os vários presentes e os vários passados nos diferentes espaços. Mais uma vez vamos sendo conduzidos na construção do enredo final. Mais uma vez me encantam as nuances de uma escrita que percorre toda uma escala de registos do mais poético, quase musical, ao mais prosaico, mais popular, mais simples.
Como disse, já tenho saudades o que evidencia o prazer que tirei do livro. É redundante dizer que gostei.
Porém, neste “Manual dos Inquisidores”impressionaram-me sobretudo dois aspectos.
Por um lado o sarcasmo desmedido, cáustico, que encontrei nos relatos mais “naif” do livro. Rescendendo ingenuidade, são demolidoras as conversas acerca da “caridade” para com os pobrezinhos, os empregados, todos aqueles que se encontram numa escala social menos favorecida;
A indiferença,… Não! A naturalidade com que é abordada a tortura mais cruel nas mais cruéis prisões. Como tudo era fruto de humores de seres sem escrúpulos que exerciam arbitrariamente os poderes do Poder. E, mormente, lembrar-me, saber, que muito se passou assim…
O outro aspecto é recorrente. É a dificuldade imensa que todas as personagens têm em soltar as suas emoções sem as mascarar, sem as rodear, sem as disfarçar, sem as corromper. Isto mesmo até ao final…
Fantástico!
2010-08-10
sábado, 7 de agosto de 2010
A textura da tristeza

Talvez se fosse à praia,
talvez se ficasse a olhar a vastidão do mar,
talvez se admirasse as estrelas
reflectidas nas águas calmas
(porque assim as fantasio hoje),
conseguisse tornar menos espessa
a textura da tristeza que hoje me assola
e respirar.
Talvez que, se experimentasse dançar na areia,
embeber os pés na sua tristeza,
conseguisse encontrar a ponta dessa teia,
puxar devagarinho, puxar,
e torná-la bem fina,
com a consistência do sentir
de quem está a sonhar…
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Se os meus óculos falassem.
Se os meus óculos falassem… Ah! se os meus óculos falassem!
Bom, para o fazerem com a dignidade que possuem, disfarçariam o melhor possível aquela pequena corcunda na haste esquerda fruto das constantes viagens dos olhos para a cabeça, da cabeça para o decote, deste para o chão… para logo a correr se encarrapitarem novamente no nariz.
Esfregariam as lentes, disfarçadamente, no tecido da blusa, aquela sedosa, que não fere. E, só depois, a medo, falariam.
Eu sei que seria assim dada a sua nobreza, o seu saber o seu decoro.
E depois…
Depois falariam do amor que conhecem através das muitas histórias em que me acompanham noite e dia.
Falariam também de saudade, de tristeza, de solidão, sentires que andam sempre de mãos dadas com o amor.
Da amizade, da alegria, dos gatos, dos cães, do sol, do mar, das gaivotas, do rir, da chuva, da montanha, das flores, da neve, da noite, das estrelas…
Falariam ainda, já a querer embaciar, da sordidez das coisas e das pessoas, da maldade, do breu, do abandono, da velhice esquecida, da guerra, do desamor, do ódio, da miséria…
E, embora cansados, diriam ainda do pouco que conhecem, da ânsia enorme de, com os meus olhos como fundo, se fixarem, sem mais delongas, nas páginas do livro que tive de pousar.
domingo, 1 de agosto de 2010
“A Ordem Natural das Coisas” de António Lobo Antunes

Gostei muitíssimo do livro. Foi, talvez, dos de mais difícil compreensão mas também dos que mais me impressionou até agora.
Considero-me bastante ignorante no que diz respeito à obra de ALA sobretudo pelo muito que ainda me falta ler. Contudo, mesmo considerando os erros de opinião que possa cometer pela falha apontada (a qual estou a tentar colmatar lendo os livros que não li e relendo outros que já li há demasiado tempo, procurando fazê-lo numa lógica de cronologia de publicação), pareceu-me sentir neste livro um ponto de viragem. Pareceu-me mais aproximado das publicações mais recentes e, consequentemente, um pouco mais distante da quase linearidade dos primeiros.
Mesmo a mim me parece estranho, paradoxal até, chegar ao fim da leitura de um livro, completamente agarrada e com pena de ter terminado sem, contudo, ter a certeza absoluta de o ter compreendido inteiramente; de ter construído a história que o autor me desenhou…
Se alguém me contasse que tal lhe havia sucedido, provavelmente o meu conselho seria: - não percas tempo com isso. Parte para outra…
Pois, mas a verdade é que sucedeu comigo exactamente o contrário. A vontade de não me desligar daquela forma de escrita, do imenso volume que cada personagem ocupa valendo por si, pela sua riqueza, pela forma como o autor lhe desenha e redesenha (quase sempre) os passados atormentados, sórdidos até, como, no presente, lhes esmiúça o consciente e o subconsciente…
A força da escrita de ALA é para mim um desafio tal que me deixa quase impossibilitada não só de largar como de apreciar a calidez de outras (boas) formas de escrita. A maneira peculiar como organiza o seu discurso passando da mais bela ternura, da poesia, da análise profunda da mente humana, à mais prosaica linguagem do quotidiano, raiando a rudeza, o decadente, o grotesco e, sobretudo, o cáustico é, para mim, arrebatador.
Depois há o desafio de encontrar o fio condutor da história (existe?) e de tentar montar o puzzle com as peças que o autor nos deixa. Também, neste caso, difícil, reconheço. É que a sua narrativa é pejada de cortes, interrupções, saltos no tempo e no espaço que a tornam um entrecruzado de vidas difícil de desenredar e de acomodar.
Neste caso, apenas nas páginas finais do livro julgo ter conseguido organizar minimamente as tais peças do intrincado puzzle e montá-lo da forma que, julgo eu, o autor me indicava. Confesso, todavia, que há pormenores em relação aos quais não tenho bem a certeza… *
Porém, aquilo que para alguns poderá ser desencorajador para mim é, de facto, estimulante como desafio. E é de tal forma estimulante que, tão depressa terminei a leitura deste, dei de imediato início à leitura de “O Manual dos Inquisidores” tal era o receio de não me ajeitar a outro registo.
É assim Lobo Antunes…
*Depois de terminada a escrita desta “opinião” tive curiosidade e fui ler outras opiniões, recensões e críticas que surgiram nos meios de comunicação acerca deste livro e, curiosamente (mas não surpreendentemente), apercebi-me de leituras diferentes para o mesmo livro.
Apenas a título de exemplo; se para uns “o livro conta a história de duas famílias assoladas pelos passados de várias gerações”, para outros é a história “de uma família rica, residente na Lisboa dos anos sessenta, numa casa apalaçada na zona de Benfica…” Uma família? Duas famílias? E isso interessa muito?
quinta-feira, 29 de julho de 2010
"Poesia in Progress"

Mais sobre Fernanda de Castro aqui
domingo, 25 de julho de 2010
(In)Decisão
Detesto mais ainda o que me trazem as decisões tomadas.
Detesto a convicção necessária para decidir.
Busco a coragem, essencial para poder ser indeciso.
Decido não decidir e tal decisão deixa-me frágil.
Detesto a fragilidade que me traz a decisão de não decidir.
Decidir é absolutamente detestável!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Musa ao Espelho
Recordemos então e um bem -hajam!
(Espectáculo na Casa da Música)
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Jubilada!!!!!
E sim, dói.
Comecei por reagir à dita compulsão mas, a verdade, é que não tive outra alternativa senão fazer a vontade ao quinto andar ou não teria mais sossego.
E eis-me, então, a reflectir!
Sobre o quê?!
Pois, esse é o segundo passo. Sobre o quê…
Depois de aturado momento de introspecção ( e, sem querer, vejam só, já estava a pensar…) decidi-me por efabular sobre a minha condição de aposentada, jubilada, reformada (whatever) e as diversas situações associadas à condição referida.
A verdade é que isto de uma mulher (quanto ao sexo oposto, não sei, falta-me o “saber de experiência feito”) ser aposentada tem muito que se lhe diga. É uma condição algo ingrata pela enorme trabalheira que dá.
É verdade que já não exercemos a actividade profissional que nos absorveu uma boa parte da vida (nunca menos de 35 anos). Levou-nos tempo, pensamentos, energia. Trouxe-nos preocupações, tristezas, alegrias, sucessos, fracassos…
É verdade também que podemos organizar os nossos horários da forma que melhor nos convém não estando amarradas a relógios de ponto, livros trancados e outras coisas simpáticas que nos podem acontecer quando obrigadas a um horário que não se compadece com atrasos de transportes, furos de pneus, febres de filhos, dores de barriga medonhas, enjoos matinais, preguicinhas inesperadas e inconvenientes, compras inadiáveis no supermercado porque a família exige refeições (o desplante!) e sei lá que mais.
Nada disso. Somos livres! Finalmente!
E é aí que então alguém (todos) pensa: - Ai são livres?! Oh p’ra elas ainda cheias de genica e sem nada para fazer!
Portanto há que lhes arranjar ocupação. Passar todo o tempo possível com os familiares idosos ou/e, nem que apenas hipoteticamente, doentes (que passa a ser uma obrigação e uma vergonha se incumprida), tratar com rigor de todos os assuntos domésticos dado que já não há justificação para esquecer nada, acompanhar, educar e obviar outras necessidades dos netos caso existam, ajudar os filhos em início de vida providenciando refeições, roupa passada e o que for necessário...
Parece-me bem referir aqui que a aposentação não inclui as actividades de dona de casa, mãe, esposa e outras afins. Essas, depois de adquiridas, acompanhar-nos-ão, tal como uma tatuagem, até ao leito de morte.
Ora bem, se a aposentada tiver ímpetos de escrita, de leitura, de dança, de se divertir até cair para o lado (tadinha! Já não sabe bem o que faz!), de ir beber uns copos com outras amigas aposentadas, está bem. Aceita-se (desde que cumpridas as tarefas atribuídas...). Afinal têm de fazer alguma coisinha ou não tarda nada é vê-la numa corrida ao Prozac…
Até inventaram umas instituições muito apelativas “Universidades Sénior”, locais onde aposentadas, juntamente com outras ainda mais aposentadas do que elas, podem concluir, complementar ou até iniciar estudos em diversas áreas (pintura, dança, teatro…) ou, somente divertir-se matando tempo antes que esse, o tempo, as mate a elas (sempre, nunca é demais referir, no intervalo das atribuições inerentes).
Há ainda aquelas que são excêntricas, desalinhadas e se colocam fora de todo esse circuito decidindo-se por actividades que sejam do seu agrado, com gente com quem lhes apraza estar, colaborando, (à maluca tantas vezes) com pessoas que trabalham e necessitam de apoio, procurando utilizar as suas ainda razoáveis competências de forma produtiva (não necessariamente remunerada), desenvolvendo outras que nem suspeitavam ter (ou suspeitavam mas faltava a coragem )…
Estas, de uma forma geral estão-se nas tintas para aquelas ocupações que outros acham tão importantes e lhes imputam.
Enfim, essas são as que gerem sozinhas (!!!!) a sua vida e, por vezes, tendem a dar um passo maior do que a perna e ficam atoladas de trabalho até ao pescoço.
Devo dizer que me insiro nesta estranha categoria. E, dou por mim com o tempo de tal modo ocupado que nem dá para acreditar.
Pois é. Lá se vão, por vezes, as obrigações domésticas que se colam a nós que nem carraças e todas as outras que já enunciei que nos vão acrescentando dada a nossa situação de aposentadas (afinal estamos ali sem nada fazer, é até uma obrinha de misericórdia dar-nos uma ocupação).
Pois meus amigos. Digo-vos eu que sei:
- Entre o que fazemos porque queremos e o que nos atribuem como função pelo facto de estarmos desobrigadas (?!),
não há nada mais cansativo do que ser jubilada….
quinta-feira, 15 de julho de 2010
“Comboio nocturno para Lisboa” de Pascal Mercier

Foi-me oferecido por um amigo muito querido que, aparentemente, lê muito bem os meus gostos, os meus interesses e necessidades intelectuais. Em boa hora, diga-se, pois constituiu para mim uma muito agradável surpresa.
O livro é um tratado de argumentos de cariz filosófico que nos vão obrigando, através das razões de outros, a completar as nossas próprias reflexões acerca da vida, da sua lógica, dos seus paradoxos, dos seus constrangimentos (impostos por nós na maioria das vezes).
Na forma de romance, temos um professor suíço, de línguas mortas (latim e grego) que, de um dia para o outro, decide dar uma volta de 180º à sua vida.
Tudo é despoletado pelo seu encontro numa ponte de Berna, onde ele passa, como habitualmente, todos os dia àquela hora, com uma mulher que, aparentemente vai tentar o suicídio. A mulher é portuguesa e ele entabula uma “conversa” com ela a qual acaba por vir a segui-lo até à faculdade, até à sua aula.
Gregorius encanta-se com a sonoridade da língua dessa estranha pedindo-lhe até para repetir a palavra “Português” vezes sem conta apenas para que lhe pudesse saborear o som:
“o ó que ela surpreendentemente pronunciara como um u, a claridade crescente e estranhamente abafada do ê e o suave che final soaram-lhe como uma melodia que aos seus ouvidos perdurou muito mais tempo do que na realidade e que ele simplesmente gostaria de ter escutado durante todo o resto do dia”
Nesse mesmo dia, Raimund Gregorius depara-se com um livro de um escritor português (Amadeu do Prado, ficcionado), médico que é a gota que determina toda a mudança de rumo na sua vida. A quebra da sua rotina de tantos anos e o salto para o absoluto desconhecido.
Decide partir para Lisboa, local de origem do autor português e seguir-lhe o rasto encontrando-se com as personagens que o seu livro refere.
E assim nos vamos deixando transportar.
Entre excertos do “livro “ de Prado, autênticos mimos de cariz poético-filosófico, impressionantes na sua urgência, coragem e sinceridade e as palavras de Raimund, vamos percorrendo toda a vida de um e, talvez o período mais importante da vida do outro, tendo como pano de fundo uma Lisboa maravilhosa, de uma luminosidade única, beijada pelo Tejo com ternura. Porém, apesar da sua impressionante beleza, podem-se notar ainda as marcas, quiçá indeléveis, da sua herança fascista.
Recomendo vivamente.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Quarta-feira, dia 14, às 21h30
“BORDAR A VIDA” APRESENTADO NO LABIRINTHO BAR
“Porque a vida é composta de um conjunto de imponderáveis,
devemos procurar tecer os pontos e os nós com que a vivemos,
aqueles a que nos é dado intervir, com toda a sensibilidade e mestria.”
Celeste Pereira
O Labirintho Bar apresenta, esta quarta-feira, dia 14, pelas 21h30, em mais uma “Noite de Poemia”, o livro “Bordar a Vida”, da autoria de Celeste Pereira, uma edição do selo edita-me.
Danyel Guerra fará a apresentação do livro bem como da autora.
As leituras estarão a cargo de José Carlos Tinoco, de Ruth Ministro, e da própria Celeste Pereira.
A sessão será musicalmente animada pela actuação do pianista Pedro Lopes.
No final, a autora (eu) estará disponível para autógrafos.









