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sábado, 25 de abril de 2009

Desafio com cravos...


(Imagem de Maria Keil)

Mais um desafio que a Sofia me fez.

Como o acho realmente original e pertinente (nem outra coisa seria de esperar vindo de quem vem), lá vou ter que recorrer à minha tão depauperada memória para recordar “o que estava a fazer no dia 24 de Abril de 1974”.

Pois bem, desde já digo que, passei a noite inteirinha a dormir pois não tinha o mais pequeno indício do que se iria passar.

Apenas de manhã, quando cheguei à estação para apanhar o comboio das 7.35h para ir para as aulas, é que fui informada pelo meu amigo Paulo, ainda de uma forma algo dissimulada, que tinha havido um “Golpe de Estado”. Os pormenores eram ainda muito poucos.

O resto das pessoas que estavam na gare procedia da forma habitual sem vislumbres, pelo menos que eu me apercebesse, de serem conhecedores de alguma coisa.

Contudo, vendo agora tudo isto em retrospectiva, se calhar poderia ter tirado conclusões que não tirei de alguns acontecimentos que ocorreram por essa altura.

Esse meu amigo Paulo e os irmãos, militantes da UEC (tal como eu havia sido), havia já uns dias que se andavam a preparar para dormir sabe-se lá onde “como medida de prevenção para eventuais rusgas da PIDE/DGS, antes do 1º de Maio…” Era comum a PIDE ter a cortesia de abrigar pessoas assumidamente de esquerda, nos seus calabouços, no sentido de impedir eventuais manifestações no Dia do Trabalhador. Contudo, tanto quanto me recordo, era a primeira vez que esse meu amigo se prevenia…

O meu cunhado mais novo, também com receio do mesmo, havia pegado num monte de propaganda anti-fascista que encontrou lá por casa e colocou-a num balde de plástico onde a queimou (juntamente com o balde claro!).

Também os encontros de Virgínia Moura, Alberto Teixeira de Sousa e outros anti-fascistas e membros do PC aqui do Porto pareciam ter-se intensificado.

A vigilância de que éramos alvo durante o nosso café pós- prandial intensificou-se em género (havia mais mal encarados e provocadores) e em número.

Eram igualmente inúmeras reuniões a que o meu namorado da altura (hoje meu marido, nem sei como) tinha que assistir quer como elemento da Direcção da Associação de Estudantes de Engenharia, e sabemos as conotações políticas que as associações de estudantes tinham nessa altura, quer como elemento de um partido… Mas ainda e sempre com o objectivo 1º de Maio!

Assim, o que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974 foi, para mim, uma completa surpresa.

Havia entre nós a consciência da inevitabilidade de algo que viesse dar uma volta ao que se passava no país, mas o quê, ou quando, disso não tínhamos a mínima pista.

Foi sim um dia de intensa e genuína alegria e de grande esperança.

No dia 25, à tarde, fomos para a Praça da Liberdade, onde espontaneamente, se juntou uma enorme quantidade de pessoas manifestando o seu contentamento.

Aí, como habitualmente, aparece a polícia de choque com os seus capacetes com viseira e os bastões king size que, do fundo da Praça, avançam sobre nós. A praça estava na altura a ser pavimentada com calçada portuguesa estando cheia de montinhos de basalto e quartzo. Ainda me emociono hoje ao recordar o que vi (apesar de cheiinha de medo, diga-se). As pessoas venceram o medo (eu não) e começam a pegar nos pequenos cubos e a atirá-los à polícia de choque até que, de repente, da Rua de Ceuta surgem carros blindados, do Exército, que estavam na praça de Santa Teresa.

A população aclama-os, mas o momento é de tensão. Eu, absolutamente transida de medo, abriguei-me no portal dos Correios inteiramente contra a vontade do meu namorado que queria ir lá para o meio…

Por fim, a polícia de choque recua e regressa aos quartéis.

É a festa! É a desbunda total!

Agora, e porque me sinto curiosa, passo esta mesma pergunta para:

Cidade Surpreendente

Pensamentos vagabundos

Blue Velvet

Mar Arável

Porque hoje é dia 25 de Abril



Porque hoje é dia 25 de Abril!
Porque é preciso não esquecer!
Porque a História se faz de lembranças!
E, sobretudo, porque estas poderão impedir que incorramos nos mesmos erros...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ainda a propósito do post anterior mas agora de forma civilizada

A propósito do post anterior vou colocar um belíssimo poema que nos coloca na pele do touro antes da lide. É belíssimo, mas chocante como o é a tortura a que é submetido um animal tão nobre.


La Corrida - Francis Cabrel
Depuis le temps que je patiente
Dans cette chambre noire
J'entends qu'on s'amuse et qu'on chante
Au bout du couloir ;
Quelqu'un a touché le verrou
Et j'ai plongé vers le grand jour
J'ai vu les fanfares, les barrières
Et les gens autour

Dans les premiers moments j'ai cru
Qu'il fallait seulement se défendre
Mais cette place est sans issue
Je commence à comprendre
Ils ont refermé derrière moi
Ils ont eu peur que je recule
Je vais bien finir par l'avoir
Cette danseuse ridicule...

Est-ce que ce monde est sérieux ?
Est-ce que ce monde est sérieux ?
Andalousie je me souviens
Les prairies bordées de cactus
Je ne vais pas trembler devant
Ce pantin, ce minus !
Je vais l'attraper, lui et son chapeau
Les faire tourner comme un soleil

Ce soir la femme du torero
Dormira sur ses deux oreilles
Est-ce que ce monde est sérieux ?
Est-ce que ce monde est sérieux ?
J'en ai poursuivi des fantômes
Presque touché leurs ballerines
Ils ont frappé fort dans mon cou
Pour que je m'incline

Ils sortent d'où ces acrobates
Avec leurs costumes de papier ?
J'ai jamais appris à me battre
Contre des poupées
Sentir le sable sous ma tête
C'est fou comme ça peut faire du bien
J'ai prié pour que s'arrête
Andalousie je me souviens

Je les entends rire comme je râle
Je les vois danser comme je succombe
Je pensais pas qu'on puisse autant
S'amuser autour d'une tombe
Est-ce que ce monde est sérieux ?
Est-ce que ce monde est sérieux ?
Si, si hombre, hombre
Baila, baila

Hay que bailar de nuevo
Y mataremos otros
Otras vidas, otros toros
Y mataremos otros
Venga, venga a bailar...
Y mataremos otros


"Aqui e Agora"

Como várias vezes já referi não sou fã de televisão procurando apenas assistir ao Telejornal do Canal 1, a algumas entrevistas ou debates acerca de assuntos ou com pessoas que me suscitem algum interesse e, mesmo assim, fico normalmente defraudada.

Foi também o caso de hoje. Sabia que, num programa que é habitual às quintas-feiras, na SIC, após o Noticiário “Aqui e Agora” iria ser discutido um tema que muito me interessa: Direitos dos animais.

De entre os assuntos que compõem tão vasto tema iriam ser discutidos, sobretudo dois: as touradas e os animais usados no circo.

Os intervenientes eram João Palha Ribeiro Telles, cavaleiro tauromáquico, Victor Hugo Cardinalli, empresário circense, Miguel Moutinho, julgo que presidente da Associação Animal e Nuno Paixão veterinário especializado nos Estados Unidos em comportamento animal.

Enfim, na minha opinião foi confrangedora a participação dos elementos que defendiam quer as touradas quer a presença dos animais nos circos (para mim, devo dizer, ainda bem). Neste caso, defendia Victor Hugo Cardinalli que os animais eram muito bem tratados embora o espaço fosse sempre muito restrito (impróprio para as suas dimensões) salvo dois meses no ano, mas a manter porque há pessoas que gostam de animais no circo e se os não tiver as pessoas vão lá menos (inviabilizando financeiramente o circo. Ora aqui está o busílis da questão).

Em relação à tourada, os seus defensores inclusivamente assumiam que o touro sofria, de várias formas, nas lides Era criado com todas as mordomias, com muito amor e carinho apenas para ser toureado. Ou seja, criado para abater, ou pelo menos sofrer. O homem inflige dor no animal voluntariamente o que, espante-se é assumido como uma relação normal.


(Está-se mesmo a ver que não sofrem!)

Tudo isto defendendo a manutenção da tradição.

Então, mantenham-se as fogueiras como meio de castigo humano! Porque não? Era tradicional!

Os outros dois elementos revelaram, quanto a mim, muito mais nível. Contudo o debate foi morno dado que os seua opositores não tinham nível para refutar. Opinavam com muito fracos argumentos (não existem) e como se estivessem numa séria disputa…

Como sempre fiquei com um gosto amargo na boca. Não sou fundamentalista, mas há coisas que considero injustificáveis e inqualificáveis numa sociedade que eu gostaria de julgar evoluída.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

E porque continuamos em Abril...


"Pedra Filosofal" de António Gedeão Cantada por Manuel Freire

Paremos um pouco e usufruamos...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para alguém que está de parabéns

(Imagem: "Cat's Birthday")

Lembra-se como era ontem?

Tão jovem, tão ingénua, tão bela!


Recorda-se dos nossos almoços

Alegres e chocalheiros?

Começavam com tremoços,

depois uma sopa singela,

um sumo e umas saladas,

levadas em tabuleiros,

muito bem acompanhadas,

pelo falar interminável,

de uma grande tagarela?


Pois tudo isso, foi ontem!

Hoje, um ano já mais velha,

tudo isso vai mudar.

Mantém a beleza, é certo.

A candidez, naturalmente.

E aquela subtil centelha

que se enxerga no seu olhar,

e dá uma vontade pungente

de a estar sempre a mimar.

Mas tremoços, já não há.

Os amendoins, estão a acabar.

Restam-nos os tabuleiros,

as sopas e as saladas,

os sumos e as empadas.

E aquela criatura

que não para de falar,

aqui e agora adjura,

que irá continuar.


Haja paciência!

Parabéns!