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sábado, 12 de dezembro de 2009

Perturbação



Sentada neste banco frio, áspero, estranho,

feito de duro granito, que não sinto.

Também eu fria, áspera e dura,

granítica e alheia à gente que passa

Alegre?

Apressada?

Distraída?

Ponderada?

que não vejo,

procuro desatar este nó de perturbações

que fervilha descontrolado.

E não sei como…

Aguilhoa-me (a alma?) ferindo-a indelevelmente, irremediavelmente inexoravelmente…


E não sei como arrancá-lo…

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Lançamento de livros

Sob um novo olhar, surge a 2ª Edição de "Escolhas".
Um renascer.
Palavras pintadas com fotografias. Pormenores. Um novo olhar pela óptica de Inês Girão.

A Edita-Me e os autores Pedro Branco e Inês Girão, convidam para estar presente na sessão de lançamento desta renovada obra, que ocorrerá no próximo dia 12/Dez pelas 17h00, na sede do SPGL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (Rua Fialho de Almeida, 3 - Frente ao Corte Inglês)


A enriquecer este evento com a sua participação, contamos ainda com Pedro Lopes (ao piano), que conjuntamente com Pedro Branco (à viola), farão deste fim de tarde um momento para recordar.

Em forma de apadrinhamento por Pedro Branco, será lançado na mesma sessão o livro "Tudo tem um fim", segunda obra do jovem autor Rui Sousa.


1 ano após o lançamento do seu primeiro romance, Rui Sousa surge agora com esta segunda obra, em que o ditado "Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe", norteia a narrativa.

Com uma escrita simples, directa e muito viva, este novo romance narra as vicissitudes da vida de um homem, que acaba por, pela força dos sentimentos, vencer as adversidades que a mesma lhe impõe.

Uma obra a não perder.

(Texto do convite elaborado pela Edita.Me)


Eu, estarei lá!!!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Evento a não perder!!!!

A não perder MESMO!

No Clube Literário do Porto


Hoje, dia 6, Domingo
no Piano-bar
às 16h00



Clube de Leitores CLP/Edita-me - «Encontro com os autores»


Ruth Ministro (livro «A Minha Nuvem»)



Marta Neves (livro «Para a Eternidade»)



sábado, 5 de dezembro de 2009

Crónica do ano de 2009 ou, mais acertadamente, Pedido público de desculpa


(Gravura de Gustave Dorée retirada da Divina Comédia de Dante, edição de 1956, com tradução de José Pedro Xavier Pinheiro)

Quando me propus dar início a esta pequena (esperais vós) prosa, tinha em mente algo que há já muito tempo sentia que deveria fazer.

Reformulo.

Tenho a mais básica obrigação de fazer.

Tenho vindo a adiar esse propósito por razões diversas. Inércia, falta de vontade e de disposição, falta de tempo, não saber bem como o fazer… escolham.

Bom, aí vai!

Venho por este meio (por momentos sinto-me regressar às fórmulas de sempre tão visceralmente embrenhadas em mim que, mesmo numa situação destas, surgem…) apresentar um enorme pedido de desculpa aos meus amigos/as internautas (poucos mas preciosos) que eu, a partir de um dado momento, passei pura e simplesmente a ignorar. Talvez não a ignorar mas, seguramente, a não interagir como era meu hábito e vontade.

Esses amigos que sabem muito bem quem são. Pessoas com quem, por uma razão ou por outra, estabeleci laços irrefutáveis. Alguns tive até o prazer, permito-me dizer, o privilégio, de conhecer pessoalmente. Esses amigos, repito, que me perdoem esta falta que sei ser imperdoável…

Contudo, eu não sou assim. Não costumo ser ingrata, desatenta, descuidada em relação aos outros e, com maioria de razão, muito menos em relação àqueles de quem gosto.

Um conjunto infeliz de circunstâncias (ou de circunstâncias infelizes, como queiram), daquelas que não pedem licença para surgir ao mesmo tempo na vida de uma pessoa, fez com que alguns dos procedimentos que me eram habituais deixassem de o ser.

Há quem lhe chame karma, mas como eu não sei bem o que isso é e, por outro lado não lhe fiz, que eu saiba, mal nenhum, não vejo o sentido de estar a ser tão terrivelmente chatinho comigo ao longo de todo este ano. São mesmo as contingências da vida…

Eu tenho para mim que o ano de 2009 nunca deveria ter começado.

Ou seja: passávamos das 24h do dia 31 de Dezembro de 2008 para as 0h do dia 1 de Janeiro de 2010 e não se falava mais nisso.

Aqui, estou mesmo a ver um desses tais amigos (não, muito mais do que amigo.), a ver como poderá pegar-me pelo facto de colocar as 24h de um dia a coincidir com as 0h do dia seguinte correspondendo ao mesmo momento temporal embora com todo um ano de premeio... Desculpa, muso, é o que é. Não o sei dizer de outra forma.

A ajudar ao resto, em primeiro lugar, desilusão das desilusões, entendi que, atendendo ao que escrevi aqui, nunca irei ganhar o meu sustento tendo por base actividades ligadas à futurologia…

Parafraseando a rainha de Inglaterra, Sua Majestade The Queen Elisabeth the second (que honra para a senhora!), este foi, para mim, verdadeiramente um “Annus (palavra ingrata!) Horribillis.

Desde ter adoecido no dia 1 de Janeiro com aquilo que viria a tornar-se algo complicado e teimoso que me manteve debilitada durante muito tempo, passando por uma estúpida de uma mini cirurgia, a qual só apelido assim dado ter sido feita por um cirurgião, com um bisturi dentro de uma sala de operações, que teimou em dar-me que fazer por muito mais tempo do que o necessário e que só sossegou quando decidi que entraria em auto-gestão e deixaria ficar a “coisa” como “ela” queria ficar.

Em boa verdade uma boa ensinadela para o meu querido (mesmo querido) priminho e cirurgião que me apanhou à falsa fé e me fez essa maldade. Por outro lado quase me batia quando se apercebeu da decisão de me auto-gerir. Decisão, aliás, de que não lhe dei conta nem recado e só mais tarde descobriu.

As mães de ambos os lados decidem começar a adoecer, ou a piorar o que tinham, em uníssono (uma delas está internada neste preciso momento).

Não houve oportunidade de fazer umas férias decentes por razões que se prendem com o trabalho.

Desisti de uma viagem a Budapeste por compromissos assumidos previamente e alterações de datas à última da hora. Embora, para não faltar à verdade, tenho que dizer que foi por uma excelente causa (também tive dessas…).

E, finalmente, não vou poder ir para Nova Iorque no dia 10 como estava previsto pois o Sr. H1N1 resolveu instalar-se cá em casa e está tudo de quarentena até ver.

Bom amigas e amigos. Acham que chega como desculpa para estar com o ânimo na sub-cave e não ter vontade para interagir com ninguém?

Por favor, digam que sim pois não quero entrar em mais pormenores em relação às vicissitudes nefastas da minha vida ao longo deste ano.

Se tiver que o fazer arrastar-vos-ei comigo para o “Cócito” o nono círculo do Inferno. Vá lá. Também estou a ser exagerada. Para o “Malebolge”, o oitavo…

E isso, acreditai, eu não quero!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia triste


Sinto as gotas grossas baterem desenfreadamente na vidraça!

O dia amanheceu chorando, cinzento.

Irado, abana as árvores que largam, impotentes, as folhas.

Estas elevam-se e revoluteiam sem remédio

junto com as pequenas esferas de granizo e as grossas lágrimas de chuva.


Solidário comigo, este dia, talvez.


Também eu acumulo grossas gotas na garganta

que se esforçam, até doer, por tombar pelo meu rosto.

Mas não tombam!

E enovelam-se bem cá no fundo formando uma imensa bola de dor.

Se ao menos corresse um vento que a empurrasse…

Se ao menos a conseguisse engolir e digerir…

Se ao menos a derramasse no dourado tapete de folhas que enfeita o chão…

Se ao menos…

Se ao menos o dia me mostrasse como…

(Fotografia minha: "Da minha janela")