Foi-me dada a honra de dizer os poemas inseridos na apresentação do livro de Nuno Dempster “Dispersão Poesia Reunida”.
Tive o privilégio de ter o livro em casa com bastante antecedência pois também me cumpria a escolha de alguns e, devo dizer, que foi uma agradabilíssima surpresa.
Não conhecia o autor, tendo-me sido apresentado apenas no momento do lançamento. Sabia, contudo, que se tratava de uma pessoa já não muito jovem.
Porém, à medida que me ia embrenhando na leitura dos seus poemas, acompanhando, de certa forma um percurso de vida, encontrei no seu registo uma juventude e uma modernidade, algo surpreendentes, muito interessantes e muito apelativas.
Um livro que, para quem gosta de poesia, será um agrado ler.
A apresentação foi no Café Guarany, sobejamente conhecido na Invicta pela sua ligação a eventos culturais e artísticos de diversas áreas realçando contudo as tertúlias poéticas que movimentam diversos nomes conhecidos do nosso universo literário.
Um pequeno senão. Sendo um espaço público é muito difícil criar-se um ambiente de algum silêncio, propício à compreensão dos poemas. Os leitores foram obrigados a um esforço adicional, o de se sobreporem ao burburinho normal de um café grande e, pelo menos eu, fiquei com a sensação que um pouco se perdeu daquilo que sei que poderia ter transmitido.
Esteve muitíssimo bem Carlos Andrade e a sua viola que nos encantou com belíssimas canções com poemas, também eles fantásticos, de poetas consagrados, interpretados de forma simples mas nem por isso menos grandiosa, na sua voz doce e envolvente.
Deixo-vos agora com um dos poemas que disse apenas para vos aguçar o apetite. O livro está à venda na livraria do costume; na Poetria, claro.
“a senhora não faz a mínima ideia do que é literatura”.
Estava eu, linda gata, posta em sossego a ler os meus mails (e aqui já estou muito à frente da D. Inês…) quando me apercebi que tinha dois comentários em duas recensões de livros que, como certamente já haveis notado, é meu hábito fazer.
Um referia-se ao comentário que tinha feito ao livro que acabara de ler “O Arquipélago da Insónia” de António Lobo Antunes. Consistia este numa comunicação de, no caso de não me opor, o autor (ou o gestor do seu site), gostaria de o publicar lá, numa área que mantém para esse efeito.
O outro dizia respeito a um livro de Walter Hugo Mãe “o nosso reino”, opinião publicada há já algum tempo.
E, vejam só a coincidência! Se o primeiro era, como podeis supor, bastante gratificante tendo-me deixado até um pouco sem jeito, já no segundo, uma senhora de nome Raquel M. começa por me apelidar (em verdade a mim e a outro comentador do post) de “cabeças fechadas”, “preconceituosos”, “negativistas”, “ter palas nos olhos como alguns animais”, assim como de nos acusar de vilipendiar o autor com o epíteto de arrogante. Tudo isto porque, embora eu diga muito bem do livro pois me encheu verdadeiramente as medidas e gosto muito do autor, não achámos lá muito bem que dê um pontapé na gramática (é mesmo isso) e escreva sem a utilização de maiúsculas.
No mesmo comentário pode ler-se ainda, depois de devidamente explicadas as razões que o autor evoca para a adopção desse tipo de escrita (explicações que eu já conhecia e aceito), “se gostam ou não do livro, isso é outra coisa”.
Eu gosto. E muito. Mas este episódio, insignificante só por si, deixou-me a pensar; para esta senhora, o importante não é o livro ter-me agradado e ter feito dele um comentário honesto e elogioso até.
Não, importante mesmo, é depois na caixa de comentários aparecerem duas pessoas que (também de forma honesta e no pleno direito de manifestarem as suas opiniões), implicam com a não utilização de maiúsculas…
Vá-se lá entender porquê, devia estar em dia bom, ainda me dei ao cuidado de explicar que, no que me dizia respeito, nem achava que isto fosse uma estratégia para o autor tentar sobressair uma vez que eu entendo que ele não necessita, de todo, disso. Ele é bom. Contudo, em alguns casos, essas e outras estratégias são utilizadas com esse propósito. Creio que todos nós conhecemos casos desses.
Apesar disso, disse ainda, que sempre que o objecto artístico é literário, tenho esta mania de ver correctamente utilizadas as boas regras da língua.
E agora pasmem! Não é que a senhora, com a recensão do livro, mais os dois comentários que lá estavam meus, descobriu e fez o favor de me informar do seguinte e passo a citar “a senhora não faz a mínima ideia do que é literatura”.
Depois deste inesperado esclarecimento querem ver que não faço mesmo e o livro em causa, além de não cumprir as regras de ortografia no que refere às maiúsculas após sinais de pontuação e em nomes próprios (que provavelmente também não sei o que é), até nem é assim tão bom como eu o acho?
Pena! É que eu até gosto do autor. Mas com toda esta ignorância…