Victor Jara (28 de Setembro de 1932 - 16 de Setembro de 1973)
Músico, compositor, cantor, encenador, professor universitário e, sobretudo, paladino internacional da música de intervenção e protesto.
O golpe de estado perpetrado por Augusto Pinochet contra o governo de Salvador Allende (democraticamente eleito), no dia 10 de Setembro de 1973, apanha-o desprevenido na Universidade como a outros professores e alunos.
É levado para o Estádio Chile (hoje Estádio Vítor Jara) que havia sido provisoriamente convertido em campo de concentração, onde, durante quatro dias sofre sevícias várias (inclusivamente mutilaram-lhe as mãos), até ser assassinado no dia 16.
É bom que uma vez por outra nos venham à memória casos como estes que convém não esquecermos NUNCA!
É proibido chorar sem aprender, Levantar-se um dia sem saber o que fazer Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas Não lutar pelo que se quer, Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade. É proibido não demonstrar amor Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor. É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos Chamá-los somente quando necessita deles. É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você, Esquecer aqueles que gostam de você. É proibido não fazer as coisas por si mesmo, Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos, Não viver cada dia como se fosse um último suspiro. É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram, Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente. É proibido não tentar compreender as pessoas, Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. É proibido não criar sua história, Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você, Não compreender que o que a vida te dá, também te tira. É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva, Não pensar que podemos ser melhores, Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Li, com imensa curiosidade, o primeiro livro (este em prosa) do autor, do qual apenas conhecia os seus textos poéticos, alguns deles verdadeiramente arrebatadores.
Não lhe chamarei um conto. É demasiado extenso e complexo para merecer tal escolha. Também julgo não ser exactamente um romance pois não contém a diversidade de temas e/ou linhas narrativas que caracterizam o género. Julgo que poderei, sob o aspecto formal, considerar a obra que com tanto prazer acabei de ler, uma belíssima novela. Segundo Eikhenbaum* – 1886-1959 (formalista russo que, juntamente com os restantes membros do movimento designado por “Formalismo russo”, são considerados os fundadores da crítica literária moderna), “ A novela baseia-se num conflito e tudo mais tende para a conclusão”.
Bom, foi exactamente aquilo que eu encontrei neste livro pequeno, de bom gosto, em termos de aspecto exterior no qual, centrado num bilhete que continha apenas “Desculpa, mas tenho de ir. Até sempre, Beijo.” me deparo com um intrincado acto de reflexão que o narrador leva a cabo, esgrimindo de forma alucinante, sentimentos, emoções, dúvidas, incertezas, confrontos consigo próprio, tristezas e agitações que o levam quase à desordem emocional. Ao mesmo tempo, a sua razão que não desiste e vai levando a melhor, de uma forma calma singela, segura e comovente, vai-nos contando o seu romance… Pois, é que existe também um enternecedor romance!
É francamente um desafio ler este, aparentemente simples, livro. O entrosamento e a dialéctica entre a razão e a emoção é de tal forma profundo, que me deixou, tal como ao próprio autor em alguns capítulos, sem respostas.
Ele, o autor, ao fim de muita consideração, de muito avanço seguido do respectivo recuo, encontrou (?) uma solução… Eu, colocando-me na posição do narrador, considerando a dor para a qual não estaria preparada talvez pelas inevitáveis “ciladas” que a vida em comum nos coloca e deixa os nossos olhos cegos para aquilo que provavelmente também não queiramos ver, penso que nem teria batalhado tanto tempo, nem a batalha (emoção/razão) acabaria desta forma, apesar de tudo, sem baixas.
Apenas um pequeno reparo. Foi pena que o livro não tivesse sido alvo de uma revisão cuidadosa. Algumas gralhas que eu encontrei, eram perfeitamente evitáveis e, na minha opinião, desenobrecem a qualidade do livro.
*Apenas como curiosidade. O termo “formalismo” foi criado pelos adversários deste “movimento” como algo depreciativo. O próprio Boris Eikhenbaum diz: “É difícil recordar quem criou este nome, mas não foi uma criação muito feliz. Deve ter sido conveniente como um grito de guerra simplista mas ele falha, como termo objectivo, em delimitar as actividades da “Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética….”
É estúpido. Eu sei. Com esta idade julgar que é possível entender esta coisa difícil que são os afectos. Aparece alguém que entra assim, nas nossa vidas, sob os nossos tectos. Cria laços invisíveis, que se tornam nós, cada vez mais apertados, mais difíceis, afectos que se colam à (alma?) e se instalam, confortavelmente, docemente, para ficar. Para crescer. Para afagar com o maior prazer.
Mas eis que chega um dia em que tudo cai. E este sentir, para onde vai? Sim, porque já criou gavinhas que nos agrilhoam que nem plantas daninhas que se enraizaram em nós. Algo mudou. Tudo mudou! Deixaram-nos sós. E esses nós apertados que se entrelaçam em nós, não se deixam desatar. É preciso arrancá-los devagar, mas com decisão. E é estúpido, eu sei. Mas ainda se instala a desilusão.
Como diz Platão “todos os textos são uma narrativa ou diegesis de acontecimentos (realidade própria da narrativa, “mundo ficcional”, à parte do mundo externo de quem o lê) ”.
Já para Aristóteles,” a poesia é a imitação que encontra nos diferentes géneros ou espécies a mesma matriz de interpretação da realidade”.
Se formos ver as teorias modernas, acabam por eleger aquela fórmula mista que combina diferentes tipos de discurso numa mesma exigência literária. Isto, para não falarmos nas teorias pós-modernistas as quais privilegiam as totalidades, as multidisciplinaridades, os cruzamento discursivos… a mistura indistinta, entre todos os géneros literários.
Bom, mas vou àquilo que me fez escrever este difícil texto. Deixar (como é meu hábito) um comentário que resulta, apenas e só, das impressões que um livro me provoca ao longo da sua leitura.
Neste caso, “O Oráculo Do Fogo”, o livro que acabei de ler é, quanto a mim, indefinível no seu estilo e, por isso, um dos mais difíceis de comentar. É constituído por textos, poesias e prosas muito poéticas também, os quais, no seu todo, pintam um percurso de vida que pode ser o de qualquer um de nós, leitores.
- Tem algo de epopeia pois tem um herói que percorre todas as páginas e que se envolve em aventuras, conflitos, sobretudo consigo próprio mas também com o mundo que tantas vezes lhe é adverso, tentando fazer cumprir a profecia que é logo introduzida no início pelo Oráculo, até encontrar a “sua princesa e iniciar viagem por um novo mar”.
- Tem algo de lírico ou não estivéssemos a falar também de poesia. O poeta é estimulado a escrever por acontecimentos extrínsecos. Mas fá-lo de forma a transmitir e a partilhar com o leitor, a emoção, a dor, a incerteza, a esperança, alegria, ou seja os sentimentos intrínsecos, ao seu eu-lírico os quais, por suas vez, o levarão bem como ao leitor à cogitação. A Palavra tem aqui um papel fundamental. E, é inegável que nos seus textos/poemas, Jorge Pópulo lhe confere uma riqueza tal (fonética, morfológica, sintáctica, já para não falar na opulência semântica) que faz com que os seus leitores se debatam (isso aconteceu comigo) com emoções fortíssimas, quiçá incontroláveis…
Quando iniciei a leitura, confesso que não foi de imediato que entrei no registo de escrita do autor que desconhecia de todo. Contudo, à medida que ia progredindo no livro, ia, tal como o autor, passando por provações diversas, refugiava-me, com ele, nos sonhos, numa tentativa de escapar à realidade espúria e a criar um mundo de sonhos que nos prometiam a aceitação de nós próprios, a tolerância, a solidariedade, enfim o seu ideal de mundo. Com ele saí do sonho e com ele caí, reflecti, ponderei as vicissitudes da vida, as dicotomias que nos apresenta até pormos em dúvida a possibilidade da coerência.
Assisto à sua belíssima homenagem aos pais que o formaram tal como é, vejo-o a envolver-se sem opção, nos carrosséis da vida que tantas vezes lhe são adversos, com ele espero o anjo que há-de despertá-lo da sua condição de moribundo da vida e sigo-o na sua demanda. Procura o olhar de Deus, mas sente-se abandonado. Ele e o Mundo. Continua a sua espera, descrevendo acontecimentos comuns como a mudança das estações do ano, a tela que ajudou a fazer na escola secundária, o nascimento, sempre de uma forma lírica, por vezes neo-clássica, fazendo referências recorrentes à mitologia.
Finalmente exulto quando assume, primeiro de forma hesitante, depois plenamente que se reergueu, qual Fénix renascida, pela mão da outra metade de si.
Vou-me encantando com a sua descrição mais ou menos inflamada, do lento e difícil processo de uma nova Paixão; os avanços, os recuos, as certezas, as inseguranças, os medos, as promessas… Até que o vejo triunfar em glória na sua demanda pela felicidade.
Tal como o Oráculo havia vaticinado, acaba por encontrar a sua Ninfa, o seu Fuego!
ÊXITO!
Tenho que o cumprimentar Jorge. Foi, para mim, uma agradabilíssima surpresa. Espero que esta seja uma interpretação correcta do que escreveu. Pois, penso eu, pode perfeitamente haver outras…
Foi o primeiro livro do autor que li, este que acabei hoje (por acaso este hoje foi já há uns dias). Tinha alguma curiosidade pois alguém (já não me lembro quem) mo havia aconselhado.
Pois bem. Foi uma grande decepção. Talvez devida a alguma expectativa exagerada que houvesse criado em relação ao livro e, sobretudo, ao autor, a verdade é que não se concretizou nada do que eu esperava.
O autor cria um detective, a personagem principal, que apesar de ser a antítese do detective tradicional que tudo sabe e o que não sabe discorre de um cabelo, o que é bom. Faz dele o janota estúpido, que anda por ali a marinhar, citando nomes de blues até á exaustão (dava para escrever uma enciclopédia) enquanto a sua maior preocupação repousa na melhor forma de se satisfazer sexualmente.
Pretende ser um policial. Contudo, o enredo é tão desengonçado que me deixou algo incrédula. No fundo, o autor, desenvolve (pretende desenvolver) duas histórias distintas sem que qualquer uma delas tenha história. É ligeiro na escrita e no enredo. Tão ligeiro que fui continuando com a ideia, à medida que progredia na leitura, de que algo mais iria acontecer. Alguma reviravolta aquilo iria ter. Não podia continuar e acabar naquela toada morna e sem sentido que vinha, teimosamente, a desenvolver. Esperança vã. Pois acabou exactamente como ia prometendo.
Enfim. Posso dizer que não me acrescentou nada. Nem em termos literários (muito longe disso), nem tampouco no que diz respeito à qualidade do conteúdo. Um conselho gratuito a Tony Bellotto: É um bom músico. É líder da banda de rock brasileira “Os Titãs”. Continue a dedicar-se à música e deixe a escrita para os que o sabem fazer…
Coloca-se-me uma dúvida, grande: Como é que estes livros são publicados e chegam a best-sellers para não falar já da sua adaptação ao cinema, enquanto bons autores, daqueles que escrevem mesmo bem, nem sequer são publicados?!!!! Dá que pensar!
Tudo tão sereno. Posso ouvir o silêncio que me abraça. No seu interior, ouço também os pássaros que, em chilreios alegres e voos arrojados, finalmente, saúdam o sol que brilha. E brilha sobre as árvores, sobre a relva, sobre os telhados das casas, agora mais vivos, sobre as águas…. E, tudo acalenta, tudo revigora, tudo afaga. Mas tudo se mantém sereno e calmo, e o que eu ouço, é apenas o silêncio como que bebendo dessa benesse há tanto ambicionada. Também eu desejo sentir o sol e tomá-lo, em silêncio, com devoção. Saio e sinto o calor que me beija a pele, ma acaricia e me leva esse sentir até ao âmago de mim. Sinto o silêncio que as pedras guardam dentro de si. Por fora, brilham intensamente sob o dourado do sol. Parecem até distendidas, palpitantes… Quem sabe, um dia, explodirão em silêncios, no silêncio que agora guardam…
Neste caso o dia de outra mãe. É uma amiga minha, cujo filho, tem um dom natural para a escrita desde que me lembro... Na última tertúlia em que estivemos juntas, essa amiga, de forma muito orgulhosa que só era ultrapassada pela comoção, leu o poema que passo a publicar:
(Maternidade de Almada Negreiros)
Mãe…
És o porquê do meu bom humor E a parte dele que não se esvanece. És a base do meu bem- estar, A constante terrena do meu voar, Que nunca foge nem desaparece.
Sou feliz por lá estares, Sou aplicado por ajudares, E mundos futuros salto Pelas grandes quedas de alto Que me ensinaste a dar.
Se sou grande é porque és pequena, Se consigo é porque tentaste, Se tenho é porque perdeste, Se ganho então ganhaste, Porque sempre por trás de mim ficaste
Sou tudo - da cabeça aos pés! - Quando consigo sê-lo direito. E só sei que sou, porque sei: Que só o sou porque és.
Fernando Miguel Montenegro de Sá (18 anos)
E como eu compreendo tão bem esse seu orgulho! Parabéns amiga pelo filho que tens. Não só pelos seus dotes de poeta, mas pelo seu amor por ti. É bom ser-se mãe assim...
Dado que não se encontrava cá hoje a maior parte da minha família, ficou decidido que o "Dia da Mãe" (já disse que não sou grande apreciadora dos dias de...) ficaria adiado. Contudo, para minha surpresa, a minha filha presenteou-me com uns objectos pessoais que muito aprecio mas essencialmente com este texto que, embora Meu, vou aqui reproduzir impante de orgulho.
Dentro deste postal (que não podia ser mais adequado) rezava o seguinte:
03-05-2009
Definição de "minha mãe"
Aquela que dá à luz? Chama-se electricidade. Não sei muito bem qual é o processo técnico mas, graças a um senhor, Edison, quando se liga um interruptor, a luz acontece.
Aquela que nos dá de comer? O nome "científico" julgo que é cozinheira. Geralmente até usa um tipo de barrete muito característico, que torna esta classe de pessoas reconhecível a uns bons metros de distância mesmo antes de sentirmos o cheiro da comida.
Aquela que cura todos os dói-dóis? É a médica. Também possui adereços próprios: batas, estetoscópios, esfigmomanómetros, entre outros que a identificam. Também se distingue pela caligrafia totalmente ilegível e incompreensível o que faz com que tudo o que escreve pareça muito mais inteligente do que realmente é. São tão inteligentes que nem tempo tiveram para aprender a escrever como gente. É natural. Afinal andam aí por esse mundo a curar dói-dóis.
Aquela que nos ensina? São as professoras/es. pelo menos no meu tempo eram. Uns melhores, outros piores...Mas agora com a nova reforma e as complicações com os professores, nunca se sabe...
Aquela que conjuga todos os saberes do mundo, que responde a todos os porquês, que era capaz, se pudesse, de nos curar de todos os dói-dóis e cicatrizes, de toda a tristeza só para não nos ver chorar e engolir tudo para ela...
Não é nem um terço do que é a minha mãe. Há palavras que nunca se esgotam naquilo que são e podem ser: "a minha mãe", enorme demais para qualquer definição.
Depois, assim, com o papá..................... E agora és esta brasa de arrasar!
Para ti A quem sempre vi como o esteio de todos
e que hoje, às vezes, procuras o amparo do meu braço.
Que sempre te impuseste como imagem do exemplo a seguir e que hoje tão bem aceitas os meus saberes.
De quem sempre receei a censura, por vezes mordaz, mas que hoje apenas me estimulas e me dás força.
Para ti em quem espero encontrar sempre aquela mãe firme, refilona, pouco tolerante e sem sentido de humor, mas que, exactamente por isso, arreliamos e tentamos contrariar. Te contamos aquelas anedotas “malcriadas”, que não entendes (ou não queres entender), só para te ouvir resmungar.
Nestes tempos em que a memória das pessoas parece andar tão falhada e em que os direitos adquiridos com a democracia parecem ser algo que cada um utiliza e interpreta da forma que entende passando pelo “não tenho nada a ver com isto” até ao insulto curto e grosso a quem tiver a ousadia de manifestar pontos de vista diferentes do meu, entendi oportuno recordar, embora ao de leve, a razão porque se comemora hoje o Dia do Trabalhador. É que os acontecimentos foram já há tantos anos… E a memória, como já disse, anda tão curta…
Tudo começou, efectivamente, no dia 1 de Maio de 1886, em Chicago, cidade, como muito bem sabemos, norte-americana.
Nesse dia um conjunto de quinhentos mil trabalhadores saiu à rua em manifestação pacífica, reivindicando o limite máximo de 8 horas para os seus dias de trabalho. A manifestação foi dispersada violentamente pela polícia, tendo daí resultado dezenas de mortos e feridos entre os operários.
Mas quando a vontade é muita e o sofrimento também, a “derrota” não dissuade, dá novas forças. Assim aconteceu. No dia 5 de Maio, apenas quatro dias depois, os trabalhadores voltaram a sair à rua com a mesma reivindicação. Estas manifestações foram novamente reprimidas pela polícia, dando origem a oito líderes presos, quatro trabalhadores executados e três condenados a prisão perpétua.
Notícias da época: "a prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", escreveu o ‘Chicago Tribune'; "estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações", escreveu o New York Tribune.
Contudo, o movimento aí iniciado deu origem a um maior, de solidariedade internacional, pressionando o governo americano a anular o falso julgamento e a organizar um novo com um júri adequado.
Tal julgamento teve lugar em 1888. Os novos jurados consideraram os trabalhadores inocentes, culparam o Estado e determinaram que este soltasse os três trabalhadores que se encontravam ainda presos.
O Congresso Operário Internacional (a Segunda Internacional Socialista), um ano mais tarde, em Paris, decreta o dia 1 de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador, cito “um dia de luta e de luto”.
No ano seguinte, em 1890, finalmente, os operários americanos conquistam o direito ao dia de trabalho de 8 horas.
Antecedentes:
No final do século XIX, vivia-se o auge da Revolução Industrial quer na América quer na Europa. Os trabalhadores eram sujeitos a condições desumanas de trabalho em prol do máximo de produção ao mais baixo custo. Tanto fazia serem homens, mulheres, crianças ou velhos. O horário de trabalho ia, por vezes, até às 17 horas diárias, sobretudo em unidades fabris. E regalias como descanso semanal, férias ou reformas não existiam.
Foram criadas aquelas que viriam a ser os primeiros embriões dos sindicatos, as “Caixas de Auxílio Mútuo” para acautelar momentos mais difíceis dos trabalhadores. Mesmo assim, esses incipientes sindicatos que posteriormente se organizaram, tinham uma função muito ineficaz dadas as constantes perseguições da polícia.
Foram, portanto, estas condições insustentáveis as causas próximas dos movimentos operários que tiveram lugar, não apenas na América, mas também na Europa.
Como, de acordo com o que já referi, apenas três dos presos, das ocorrências em Chicago, beneficiaram do novo julgamento incitado pela comunidade internacional, todos os restantes ficaram conhecidos pela designação de “Os Mártires de Chicago”.
Foram mártires, sem dúvida, mas foram sobretudo um enorme exemplo de coragem o qual desencadeou uma onda de protestos e de melhoria de condições dos trabalhadores em todo mundo.
Também em Portugal se desencadeou uma onda de greves que ocorreram essencialmente entre 1852 e 1910 e que acabaram por ter como efeito uma efectiva melhoria das condições dos operários.
Durante a Primeira República festejava-se o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador o que deixou de acontecer após o início da ditadura. Havia comemorações nesse dia, que deixou de ser feriado, mas apenas aquelas que eram simbolicamente organizadas pelo Estado.
O primeiro 1º de Maio a seguir ao dia 25 de Abril de 1974, foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa manifestaram-se mais de meio milhão de pessoas, o mesmo acontecendo em todas as cidades do país (não com o mesmo número de pessoas, está visto).
Eu estive nesse 1º de Maio do Porto e, ainda hoje me sinto saudosa do ambiente que se viveu nesse dia. Não se questionavam cores, partidos, tendências, nada. Era aquela mole de gente que, com imensa alegria, dava as boas-vindas à democracia que, apenas uma semana antes, nos havia sido devolvida.