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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia de S. Valentim

E pronto. Eis-nos chegados ao dia de S. Valentim, mais conhecido actualmente por dia dos namorados.

Ou seja, mais um pretexto para que os namorados e namoradas, maridos e esposas se entreguem a uma corrida desenfreada ao presente, à marcação do jantar no restaurante mais em voga, enfim, uma corrida ao consumo aprazado.

Recuso-me terminantemente a ir por esses caminhos que me irritam solenemente uma vez que, em qualquer dia do ano, os namorados e as namoradas, os maridos e as esposas podem e devem, mimar o outro com uma atenção especial, um carinho, uma atitude fora do comum, enfim, até um olhar…

Contudo, como de santos entendo muito pouco, tive curiosidade em saber quem era S. Valentim e o que tinha feito para que este dia se transformasse no “Dia dos namorados”. Sim, porque o Santo, como santo que é, não tem qualquer responsabilidade naquilo em que o dia se tornou.

Eu tenho para mim que ele nem haveria de gostar!...

Bom, por casualidade, no domingo passado, almocei num restaurante que já fazia publicidade ao menu especial que iria servir hoje.

Estava pousado nas mesas numa folhinha muito bem feitinha que continha uma resenha pequena mas interessante da vida do Santo.

É essa informação, feita por alguém para a Estalagem da Via Norte, na Maia, que aqui coloco hoje. O menu, devo dizer-vos que é deveras convidativo.


E agora, vá lá. Ponham os óculos. Esses! Sim, os mais graduados. E agora tentem ler. Então vá! Façam lá um esforcinho!


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Imagine"




Imagine- John Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

“Em nome de Salomé” de Júlia Alvarez


Escritora dominicana, também dentro do rol das que não conhecia e, cujo livro foi comprado ainda naqueles fabulosos “saldos”, que não me canso de repetir (embora acredite que os leitores, se os há, já estejam cansados de o ler) por 1,49€.

Uma agradável surpresa. Bem escrito, adoptando um género fluido mas erudito, o livro conta-nos a história de uma personagem verdadeira, um ícone nacional na República Dominicana, a poetisa Salomé Ureña.

Fruto da grande instabilidade política do seu país que vai traduzindo em palavras, a poesia de Salomé torna-se um forte valor nacional e convertem-se, aos 17 anos, na musa da pátria.

Isto permite-lhe conviver com as pessoas mais cultas da época. Toma contacto com as novas correntes pedagógicas, vindo mesmo a criar e dirigir a primeira escola secundária para raparigas na República Dominicana.

Sem pretensões de absoluta exactidão, a autora pega em figuras reais, de relevo histórico e constrói um romance que ocorre a dois tempos:

Um, aquele que a própria Salomé nos vai contando; a sua vida conturbada, os exílios, a escrita, a doença, o seu casamento… Também aqui desafiou o estabelecido casando com um homem 10 anos mais novo do que ela, que sempre sobrepôs á família, as suas ambições políticas bem como as suas frequentes traições.

O outro, aquele que nos é transmitido pela sua filha mais nova, que nasce pouco tempo antes da sua morte, Camila. Professora universitária nos Estados Unidos, insatisfeita, que vê, com a aproximação da reforma, chegado o momento da procura do sentido mais profundo da sua existência; aquele que ela sente estar ligado à sua mãe.

Muda-se para Cuba e, é aí, que Camila vai repassando toda a sua vida, regressando ao passado através de cartas, de lembranças, de poemas. E, à medida que a sua vida recua, mergulhada em memórias, a da sua mãe avança trazendo-lhe o entendimento que acaba por explicar as suas próprias angústias.

Estes dois tempos do enredo estão particularmente bem entrosados formando um todo contínuo e conexo de compreensão fácil.

Gostei.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

As coisas que se encostavam por aqui...

(Loosing marbles by Maye Torres)

Triste dia este em que te vi procurar todas as suas coisas para lhas dar.

Triste dia em que essas coisas, que displicentemente, se iam encostando por aqui,

considerando esta casa já um pouco sua, tiveram que dela sair, que a deixar.

Triste dia este em que te vejo procurar e arrumar, tão absorta como nunca vi,

livros, discos, e sei lá que mais, com os gestos maquinais de quem está a sonhar.

Detens-te, por vezes. Estranhas o que tens na mão, não compreendes.

Até que acordas, paras, olhas sem ver e deixas as lágrimas rolar.

Hoje perdeste a frescura do rosto só possível para os que não sabem,

para os que nunca sentiram a dor de acordar de um sonho de amor.

Donagata em 2009-02-08

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Se eu soubesse!


Se eu pudesse,

ah se eu pudesse arrancar,

uma por uma as raízes desse sofrimento

enterradas no teu coração de passarinho!

Se eu soubesse,

ah se eu soubesse sorver,

uma a uma essas lágrimas,e transformá-las

em estrelas que te indicassem o caminho!



Mas não sei…

E dói-me poder apenas sentir a tua dor.

Living Tales


Hoje fui assistir a um concerto assim um tanto ou quanto por ir. A vontade era pouca pois estava bastante triste, a expectativa também não era por aí além, o frio era muito…. Bom, mas como conhecia o guitarrista (esse, sabia eu, muito bom), toca lá de ir para compor a assistência.

Oh meus amigos! É daquelas coisas que não acontecem nunca. Mas, a mim aconteceu-me. O concerto foi fantástico! Até me apetece utilizar uma palavra nova mas muito adequada ao caso: O concerto foi FABULÁSTICO!

Tenho assistido a concertos de consagrados com muito menos qualidade do que vi neste.

A música original era muito boa, os trechos que recriaram estavam fabulosamente bem adaptados, e os músicos revelaram-se de uma qualidade incrível.

O aspecto cénico do concerto estava bem cuidado, coisa que por vezes é considerada secundária, erradamente, e a voz da Filipa, embora forçada a grandes amplitudes e diferentes registos (onde, por vezes, sobretudo no início, notei pequenas falhas), mesmo assim acompanhou muito razoavelmente a parte instrumental que me deixou, tenho de repetir, embasbacada.

Pois bem trata-se dos “Living Tales” e caracterizam-se assim:

“…um verdadeiro coktail de estilos rock, desde o progressivo, até ao gótico e sinfónico…”

O projecto teve o seu início em Dezembro de 2007 com Cristiano (baixo), Diogo (bateria) e Luís (Guitarra). Após dois meses de composições, a necessidade de fortalecer as suas harmonias, levou a que o Paulo se juntasse ao projecto ocupando o lugar de teclista. Nesta altura a banda contava já com 3 temas originais bem delineados e começava a trabalhar numa versão que integraria o seu repertório. Mais tarde, com a necessidade de dar voz ás suas histórias, juntou-se ao projecto a Filipa, em Fevereiro de 2008.

Actualmente, os “living Tales” procuram uma sonoridade no que respeita ao panorama do rock nacional, explorando temas longos, primando em todos eles pela eloquência e dinâmica entre a música e a letra. Desta forma, Living Tales, continuará a sua longa jornada…e até mais ver, se tudo se proporcionar, esperamos que cada vez mais tenham novas nossas…

Se puderem, não percam. Vale a pena.