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sábado, 3 de janeiro de 2009

Blowing in The Wind - Bob Dylan




Tão antiga esta canção e, contudo, com um poema de uma actualidade assustadora!


Blowing In The Wind

How many roads must a man walk down,

before you call him a man?

How many seas must a white dove fly,

before she sleeps in the sand?

And how many times must a cannon ball fly,

before they're forever banned?

The answer my friend is blowing in the wind,

the answer is blowing in the wind.

How many years can a mountain exist,

before it is washed to the sea?

How many years can some people exist,

before they're allowed to be free?

And how many times can a man turn his head,

and pretend that he just doesn't see?

The answer my friend is blowing in the wind,

the answer is blowing in the wind.

How many times must a man look up,

before he sees the sky?

And how many ears must one man have,

before he can hear people cry ?

And how many deaths will it take till we know,

that too many people have died?

The answer my friend is blowing in the wind,

the answer is blowing in the wind.

The answer my friend is blowing in the wind,

the answer is blowing in the wind.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"Exortação aos crocodilos" de António Lobo Antunes


Havia já lido este livro há já alguns anos (talvez oito) quando, num Natal, foi oferecido à minha filha. Confesso que, na altura, tive alguma dificuldade em me aplicar o suficiente na leitura para o apreciar de forma conveniente. Tinha o tempo muitíssimo ocupado, com actividades diversificadas, o que não me deixava grande margem para uma leitura atenta e seguida como é exigência de um livro como este.

Assim, após terminado um livro de um dos irmãos, o mais novo (Nuno Lobo Antunes), completamente diferente no seu estilo, achei que estaria preparada, neste momento em que disponho do tempo da maneira que me apraz, para o reler com a expectativa de melhor apreciar quaisquer subtilezas de estilo, e não só, que me tivessem escapado na primeira leitura.

Pois bem, mais uma vez me levou muito mais tempo do que é normal para ler um livro de dimensão semelhante.

Mais uma vez me vi atrapalhada para acompanhar as personagens sem me perder nos meandros das suas vidas e, sobretudo, sem fazer confusões que tornariam o argumento ininteligível.

Mais uma vez, embora reconheça a imensa mestria necessária para organizar prosa nestes moldes, dava por mim a perguntar-me (sobretudo quando tinha necessidade de voltar uma ou duas páginas atrás para ver o que me tinha escapado para que o resto fizesse algum sentido) se haveria necessidade desta excessiva fragmentação narrativa que pode, e não é difícil que aconteça, desmotivar o leitor menos tenaz.

Será que para se escrever bem é necessário escrever difícil? E reparem, eu até aprecio Lobo Antunes…

Neste livro a narrativa cabe inteiramente a quatro mulheres que partilham segredos comuns por se encontrarem ligadas a um determinado conjunto de homens.

Estes, um grupo de “saudosistas” do anterior regime, oriundos, aparentemente, de diversos meios: burguês, clero e antigos elementos da PIDE, desenvolvem, clandestinamente, perseguições e atentados contra os “comunistas”.

É apenas através do que elas vão desenrolando das suas próprias vidas, desde a infância até à actualidade, que nós vamos decifrando o enredo do livro.

Mimi, Celina, Fátima e Simone, todas elas revelando marcas profundas ao nível da sua estrutura psíquica, devidas a vários factores, todos traumáticos (uma é surda, outra é obrigada a casar muito nova com um homem muito mais velho, outra é sobrinha do bispo, um dos conspiradores e, finalmente a outra sofre de obesidade mórbida tendo encontrado no seu companheiro, o motorista, o seu reduto) vão-nos encaminhando quer de forma inquieta e até brusca, quer de forma surpreendentemente afectuosa, inacreditavelmente terna, através dos acontecimentos que dão corpo ao livro. Embora, a meu ver, o corpo do livro é, na verdade, o próprio imaginário das personagens femininas que o compõem.

Para finalizar. É inegável a mestria literária do autor que faz recurso de técnicas expositivas terrivelmente difíceis. É, sem dúvida, um excelente exemplo de um tipo de literatura contemporânea portuguesa que tem angariado alguns e bons seguidores bem mais recentes.

Contudo, é com algum pudor que o digo: penso que me foi tão difícil ler o livro hoje como já tinha sido há sete ou oito anos atrás.

É muito bom se entretanto conseguirmos não desmotivar e ir lendo até encontrar aquele fiozinho que já não nos deixa largá-lo.

Quando aí chegamos, se chegamos, é fantástico.

Dois de Janeiro de 2009

Até são engraçadinhos, não são?

Esqueçam. O meu é muito mais bonito!

Dois de Janeiro de dois mil e nove

(título de superior originalidade)


Após uma noite horrível em que os períodos de vigila inquieta e desassossegada alternavam com pequenos ciclos de sono pejados de pesadelos absolutamente fabulásticos (vocábulo não da minha criação, mas usado por um grupo restrito no qual eu me insiro e que julgo estar absolutamente em consonância com o espírito do acordo ortográfico, por isso, bora lá!) quando não mesmo assustadores, eis que consigo ver claridade, embora ainda algo baça e envergonhada, através dos furos das gelosias (lindo!).

Finalmente chegou a manhã. Ou seja, chegou uma hora em que já seria normal acender a luz do candeeiro, e dar início a um dia normal: pegar no livro que estou a ler, aconchegar-me no edredão, deslocar o Zorba de cima da minha cara e iniciar a leitura.

Pois e seria isso exactamente que eu faria se a cabeça não mantivesse os problemas de ontem e continuasse exageradamente pequena para acomodar todo o seu conteúdo, se os ouvidos não estivessem em constante produção de um som que eu julgo ser muito semelhante ao que produziria um bilião de abelhas, se os olhos não se desfocassem constantemente e insistissem em ir atrás da palavra perdida tornando o livro de um surrealismo atroz e se os ossinhos todos dos dedos das mãos (e outros), não me doessem o suficiente para ser penoso pegar no livro.

Enfim, depois de diversas tentativas, rendi-me. Levantei-me, tomei uma aspirina e voltei para a cama com a sensação que não conseguiria de lá sair tal era o grau de entontecimento que eu sentia de cada vez que procurava deslocar-me.

Depois de algum tempo, em que, após as primeiras impressões até consegui acabar de ler o livro que tinha em mãos (o qual também já fazia parte dos pesadelos com que me havia confrontado durante a noite), já não suportava mais a cama e movimentei-me para o sofá.

Cá continuo, rodeada de aspirinas, gatos, lenços, livros, xaropes e mantas e, claro,

O ANEL

bem colocado no anelar direito que é o único que não me dói. Vejam só a importância do poder telúrico dos metais!!!!!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um de Janeiro de 2009




Estão a ver estes? Não têm nada a ver. O meu é muito mais bonito!

Um de Janeiro de 2009.

Acordo com a sensação estranha de que nem sequer tinha dormido. A cabeça ameaça estalar, os braços, mãos, pernas e restantes apêndices anatómicos parecem ter sido apanhados pela roda de um camião TIR.

Tento falar e, oh maravilha das maravilhas, parecia o Olavo Bilac mas num patamar muito mais sofisticado. Soltava uns sons roucos, imperceptíveis e ridículos que, embora fizessem as delícias de quem ouvia, se tornava uma actividade deveras penosa.

Decidi ficar um pouco na cama a ler enquanto o meu Gatão me arranjava um pequeno-almoço à maneira, para ver se me fazia sentir melhor. Mas as letras do livro (já de si leitura de longa duração) estavam hoje particularmente inquietas e, raramente, acertava com a linha a ler a seguir; ou repetia a que tinha lido com uma semiconsciente sensação de déjà-vu, ou passava duas ou três à frente passando do estado de “dificuldade em entender” ao de “não perceber absolutamente nada” (diga-se, em meu favor, que estou a ler António Lobo Antunes….).

Desisti, claro, logo que chegou o pequeno-almoço: Kiwi e a tradicional rabanada (para mim) do Dia de Ano Novo com o café.

Mas este ano o meu pequeno-almoço tinha algo mais. Com o resto, vinha um pequeno embrulho, muito bonito, de laço prateado que eu, apesar de estar com as minhas faculdades depauperadas, percebi imediatamente que não fazia parte do menu.

Quando o consegui abrir (com a paciência que me é habitual, rasgando, puxando, cortando…) ficou à vista um lindíssimo anel.

A minha surpresa não podia ter sido maior! Em primeiro lugar não são habituais presentes de ano novo (embora tenha já acontecido) depois, trata-se de um belíssimo anel que eu nunca teria comprado. Vem, talvez, na tentativa de ajudar a repor aqueles que me levaram. É que os anéis foram todos! Mas, apesar de poder atribuir muitas justificações ao acontecimento, a única, a verdadeira é que o meu marido me quis ver feliz.

Bem, como podem ver um início de ano que dá para tudo. Comecei doente. Continuo doente. Passei o dia a aspirinas, líquidos, molhos de lenços à minha volta, a cabeça exageradamente recheada, tenho a sensação estranha que o conteúdo não cabe bem na caixa craniana (se calhar em vez de um neurónio sempre tenho dois….) e um lindo anel de brilhantes claros/escuros, com um design espectacular no anelar da mão direita.

Eu, como sou positiva, digo-vos já que considero um excelente presságio (embora não acredite lá muito em presságios). Ou seja: aconteça lá o que acontecer de mau durante o ano que iniciámos, será sempre temperado por algo muito melhor!

Espero, sinceramente, que seja assim para mim bem como para todos vós.


Nota: Nem imaginam o tempo que levei a escrever este texto de fino recorte literário. É que hoje, as teclas do meu portátil estão, tal como as letras do livro, algo irrequietas e têm vontade própria.

Desculpem, portanto, alguma coisita menos bem. Nem é costume…