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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ainda coisas de férias...

Como penso que já disse, este ano fiz umas férias como há muito desejava: um cruzeiro pelo Mediterrâneo oriental.

Não me vou alongar aqui a descrever as maravilhas que visitei, foram muitas; nem insistir no agradável e repousante que é encontrar-me no meio do oceano absolutamente relaxada sem outros horizontes que não o céu e o mar pintados com os matizes do sol e da lua. Não é meu objectivo incendiar invejas em ninguém.

Um dos locais que visitei foi Efesus como não podia deixar de ser. É espantoso. Tendo em tempos albergado o Templo de Artemis (aqui, deusa da fertilidade), uma das sete maravilhas do mundo antigo, do qual (mais precisamente dos quais pois foi reconstruído várias vezes) já não resta nada, apenas uma coluna indica o local onde se situaria é, contudo, algo verdadeiramente impressionante.

Ocupando uma vastíssima área, apenas 15% do que se sabe existir está escavado. Mesmo assim foram dos vestígios da antiguidade mais interessantes e mais completos que me foram dados visitar.

Mas, embora possa parecer estranho, não é de Efesus que vos quero falar. Apenas refiro Efesus porque foi depois da visita a esta localidade, depois de reembarcar em Ismir, que, estando debruçada sobre a amurada do navio me pareceu ver uma tartaruga! É verdade, uma tartaruga e grande, pois dado o tamanho do navio e encontrando-me eu ao nível do 11º andar, se fosse pequenita não tinha hipótese de a vislumbrar.

Durante algum tempo, enquanto ela foi visível, fui-a acompanhando até desaparecer. Não foi muito tempo pois deslocava-se no sentido contrário da nossa rota e por isso deixou-me até um pouco duvidosa. Também não ajudou nada o facto de o meu marido não a ter conseguido ver e se pôr a dizer que eu estava com visões, que não devia ter bebido tanto (eu não bebo) e outras parvoíces semelhantes.

Devo dizer que, embora tivesse (quase) a certeza de que o que tinha visto era uma tartaruga, fiquei francamente intrigada pois, confesso a minha ignorância, não fazia ideia que o Mediterrâneo, neste caso mais concretamente o Mar Egeu albergasse semelhante fauna uma vez que sei que não há sinais de nidificação nas costas do Atlântico Oriental.

Chegada a casa uma das primeiras coisas que fiz foi pesquisar no sentido de saber se era possível ter tido semelhante visão ou se me teria iludido.

Não deve ter sido ilusão. Aprendi que, efectivamente as tartarugas marinhas neste caso a espécie mais comum por estas bandas, a espécie Caretta, vivem sempre no mar vindo apenas a determinadas praias para nidificar, sempre as mesmas (isto eu já sabia), sendo que no Mediterrâneo existem algumas dessas praias, sobretudo na Grécia e na Turquia. Ou seja, exactamente por onde eu estava a navegar.

Aprendi também que os adultos vivem essencialmente em zonas costeiras embora possam fazer grandes migrações enquanto que os jovens são essencialmente pelágicos ou seja vivem preferencialmente no mar alto. Portanto, o que eu vi, deveria ser um belíssimo exemplar de uma tartaruga adulta.

Foi também muito interessante saber que, pelo menos nesses dois países, as praias de nidificação estão a ser alvo de um programa de protecção dado que a grande tartaruga marinha é uma espécie em rápida extinção. Por um lado porque não conseguem distinguir detritos vários que vogam por esses mares, das medusas e outros tipos de seres de que se alimentam, provocando-lhes, a ingestão dos mesmos, a morte. Por outro lado são cada vez em menor número os locais de desova dada a expansão do turismo nas praias onde tal se verificava. Além disso, são frequentemente apanhadas nas redes de pesca por arrasto causando-lhes fortes danos e quase sempre a morte. Também são apanhadas muitas vezes pelo anzol (vêm ao cheiro do isco) e na maior parte das vezes são soltas e lançadas ao mar com o anzol na boca ou na garganta acabando, também, por lhes determinar a morte. Há locais onde são mesmo apanhadas para a utilização da sua carapaça bem como da sua carne.

Enfim, tudo serve para aprendermos qualquer coisinha! E são estas pequenas aprendizagens que, por vezes, nos tornam mais conscientes da fragilidade do equilíbrio da Natureza…

(Imagens da Biblioteca de Efesus e do Teatro)

(Imagem de tartaruga bébé fruto do programa de protecção às praias de nidificação nas costas da Turquia, próximo de Bodrum)

domingo, 19 de outubro de 2008

Livros de férias (segundo round) I "A rapariga das laranjas" de Jostein Gaarder


Livro muito emocionante que comprei por ser do mesmo autor de “O mundo de Sofia”. Direccionado para o público jovem se atendermos ao tema, ao tipo de abordagem que dele faz e à simplicidade elegante da escrita.

Trata-se da leitura de uma carta escrita por um pai, gravemente doente, ao seu filho, ainda bebé, para que venha a ser encontrada e lida por este na sua adolescência.

A leitura da carta e as reacções do filho, ao lê-la, as suas respostas, constituem um diálogo fabuloso e deveras emotivo.

A carta, só por si, trata-se da forma que o pai encontra de contar ao seu filho uma belíssima história de amor e de tenacidade.

Muito interessante.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Noite de sexta-feira "Vem dançar comigo"

(Imagem: "Dancing couple" de Botero)

Anda, vem dançar comigo!

é muito simples, repara:

abraças-me com muito jeito.

Depois, num sinal perfeito,

aproximamos a cara,

num gesto terno, de emoção.

Não te intimides, então?

Já enleados num abraço,

já ligados mão na mão,

é só acertar no passo,

no meneio, na torção,

sentir a música, o compasso,

o embalo, a compulsão

e bem presos nesse enleio,

agora feito paixão,

esquecemos o pudor

e brilhamos no salão!

Donagata em 2008-09-13

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cheguei


E, como sempre, cheguei em grande!

Como tudo havia corrido de uma forma excepcional durante todo o período de férias (cruzeiro, locais visitados, possibilidades de descanso bem como de divertimento) eis que, já chegados ao Porto, de desenrola o romance!

Tinha de haver um romance, bolas, eu estava lá!

Bom, lá chegámos. Muito bem-dispostos, muito deslumbrados, muito retemperados e essas coisas que é suposto estar após umas férias de sonho, quando nos apercebemos que, nenhuma da nossa bagagem tinha vindo connosco. É compreensível, na realidade nós também teríamos preferido ficar, mas a verdade é que não podia ser e tínhamos lá todos os nossos pertences.

Enfim, nada que não possa acontecer ou até que não nos tenha já acontecido.

Dirigimo-nos ao gabinete de perdidos e achados e, depois de aguardarmos um pouco, lá fomos (isto é, o meu marido foi, que nestas coisas compete e fica sempre bem ser o varão a tomar as rédeas da coisa enquanto eu aguardava uns passitos atrás como é bonito e convém) participar o extravio.

Tudo decorreu normalmente até ao momento em que a menina perguntou se queríamos ir lá buscar a bagagem ou que nos fosse entregue. Obviamente que optámos pela segunda hipótese ao que a referida “menina” retrucou que, nesse caso, só poderia ser entregue no dia seguinte (eram ainda 16 h e presumia-se que a bagagem chegasse no próximo avião vindo de Lisboa). Ora, uma vez que o meu marido havia ouvido a resposta dada ao anterior reclamante a quem tinham dito que receberia a bagagem ainda no próprio dia no hotel, quedou-se atónito, primeiro e, quando acordou, perguntou à funcionária porque é que os nossos pertences seriam entregues apenas no dia seguinte. A “flausina”, afivelou um ar ainda mais displicente e enfastiado do que aquele que até aí tinha ostentado e respondeu serem estas as normas sem excepções:

Hotéis – entrega no próprio dia

Casas particulares – entrega no dia seguinte

O meu marido, ainda cheio de paciência e de boa educação, tentou ter uma conversa com a “mulher” no sentido de tentar perceber a lógica da coisa ou então de lhe demonstrar quão absurda lhe parecia a situação uma vez que também nós tínhamos toda a bagagem extraviada o que nos traria grande transtorno. A “moçoila” lá ouviu (ou fez de conta) e, com o já normal ar entediado de “quero lá saber disso para alguma coisa, desampara-me mas é a loja” respondeu:

- o senhor tem de decidir; ou vem buscar, ou entregamos hoje num hotel ou amanhã em casa.

Aí, o meu marido “passou-se dos carretos” (fiquei toda contente pois costumo ser eu) e disse:

- Então quero que a bagagem me seja entregue hoje no Hotel…. em Esposende…

Convém aqui fazer um pequeno parêntesis para quem não é do norte. É que o aeroporto situa-se entre a Maia e Matosinhos e eu vivo na Maia. O hotel em questão é em Esposende que é já a meio do caminho entre o Porto e Viana do Castelo… Bem, consultando um simples mapa é fácil de ver a razão pela qual quase me dava uma coisinha má.

A incompetente mulher, manteve o seu ar de indiferença, tomou nota do local, entregou a cópia e lá viemos embora, ambos a ferver que nem crateras de vulcão, com toda a serenidade e bem-estar que tínhamos adquirido ao longo destes preciosos dias, arruinados em coisa de poucos minutos.

Calma, calma, não esfreguem as mãos de contentes porque a comédia ainda não acabou.

Apenas chegados a casa constatámos que não tínhamos connosco uma bolsa que continha os nossos passaportes e outros documentos de importância. A lógica dizia-nos que deveria ter ficado no balcão de perdidos e achados, mas a certeza não era nenhuma.

Telefonámos imediatamente para o número que constava da cópia da reclamação e foi-nos informado que não era possível contactar telefonicamente o balcão do serviço referido. Tínhamos de decidir por uma de três soluções:

Ir lá pessoalmente,

Mandar um fax pedindo a informação, ou

Contactar a P.S.P.

Claro está que o meu marido se deslocou de imediato ao local, dada a importância dos documentos em questão. Quando lá chegou, a incompetente empregada informou-o que tinha dado logo conta que tinham lá ficado e entregou-lhos.

Indagada pelo meu marido das razões que a levaram a não se preocupar sequer em fazer um telefonema para descansar o cliente em relação ao local onde tinha deixado documentos de tal importância, respondeu que não viu necessidade uma vez que seriam entregues com a bagagem quando ela chegasse.

Agora um comentário meu. Já não me espanta, entendo até bem a razão pela qual companhias aéreas de referência estão a falir quase diariamente. Nunca viajei numa companhia low cost, mas custa-me a crer que o atendimento feito pela ground crew tenha alguma hipótese de ser menos eficiente e efectuado com menos profissionalismo do que este; trata-se de um voo TAP que fiz em classe executiva…

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

FÉRIAS!!!!!

(Imagem: Fotografia de Paulo Sérgio M. Abreu)

Agora é que é mesmo a sério, vou de férias!

O treino não correu lá muito bem mas agora, as férias mesmo, vão ser de arrasar. Tenciono gozar tudo o que tenho direito e, confesso, considero-me uma pessoa cheia de direitos; uns por inerência, outros adquiridos pelas minhas boas práticas e, sobretudo, pela minha evidente modéstia.

Para vocês, os que ficam, também não vai ser muito mau. A boa notícia é que irei emudecer por uns tempos.

Mas depois...